Por bferreira

Rio - Está mantido o impasse na greve dos servidores estatutários e trabalhadores temporários do IBGE. A paralisação dura quase três meses e já afetou pelo menos três pesquisas do instituto, a Pesquisa Mensal de Emprego, a Pnad Contínua e o IPCA-15.

Ontem, no Rio, o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, e a presidenta do instituto, Wasmália Bivar, se reuniram com os diretores do Assibge-SN, sindicato da categoria.

O encontro acabou sem avanços, principalmente, pela decisão do órgão de não rever os contratos dos funcionários temporários,que não tiveram os acordos trabalhistas renovados.

Ao todo, 181 funcionários foram desligados por estarem mais de dez dias sem trabalhar e, consequentemente, deixando de produzir conteúdo e coletando informações para as pesquisas do instituto.

Segundo Wasmália, a não renovação de contrato foi questionada no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) e, por conta disso, não haverá novos desligamentos até que haja uma decisão final sobre o procedimento. Ela destacou também que vai acatar o que for determinado judicialmente. Contudo, o órgão já está recompondo as equipes que tiveram perda de pessoal.

A presidenta destacou ainda que a Pnad Contínua está atrasada em seis estados e citou como exemplos Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Norte e Amapá. Na avaliação do IBGE, a adesão dos servidores em greve é de 8,09% em todo o país.

PLENÁRIA HOJE

Os trabalhadores do IBGE discutem hoje os temas que foram abordados na reunião. Segundo Ana Magni, integrante da executiva nacional do Assibge-SN, a plenária terá como indicativo a manutenção da greve. “A decisão de não aceitar os trabalhadores de volta é uma forma de perseguição política”, criticou Ana.

GRUPOS DE TRABALHO

Um dos poucos avanços na reunião de ontem foi a aprovação de uma proposta de criação de dois grupos de trabalho. Ambos terão quatro integrantes da direção do IBGE e quatro do sindicato. Um grupo vai discutir carreira e salários e outro vai analisar a questão do trabalho temporário no quadro de pessoal do IBGE.

QUANTITATIVO

Segundo Wasmália Bivar, o quadro atual de servidores estatutários é de 6 mil pessoas. Já o de trabalhadores temporários é de 4.500. “Sabemos que há algo que precisa ser mudado, mas também temos que fazer isso com cautela e muito estudo. Mesmo com a criação dos dois grupos, qualquer decisão final sairá só no próximo governo”.

REPOSIÇÃO E CORTE

O secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Sérgio Mendonça, declarou ontem que qualquer questão que envolva reposição de dias paralisados e devolução de corte de salário será discutida somente após o término da greve. “É um procedimento comum adotado em todas as paralisações do funcionalismo”.

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