Por bferreira

Rio - As instituições financeiras reduziram novamente a previsão de crescimento da economia do país. Segundo o boletim Focus, do Banco Central, a estimativa para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos, caiu de 0,86% para 0,81%. É a 11ª redução seguida feita pelo mercado. Também houve ajuste na projeção para 2015, com queda de 1,5% para 1,2%.

A previsão para a inflação em 2014, contudo, caiu pela quarta vez consecutiva, passando de 6,39% a 6,26%. Já para 2015, houve ajuste de 6,24% a 6,25%. Apesar das reduções na estimativa, esse percentual está longe do centro da meta (4,5%) e pouco abaixo do teto de 6,5%.

A taxa básica de juros, a Selic, deve fechar 2014 sem novas alterações, conforme expectativas das instituições financeiras. Atualmente, está em 11% ao ano. Mas para 2015 é esperada uma elevação da taxa, que deve encerrar o período em 12% ao ano.

Professor de Finanças do Ibmec-RJ e da Fundação Dom Cabral, Gilberto Braga acredita que o PIB deve se manter estável até o fim do ano, chegando, no máximo, a 0,7%. “A economia está ruim, mas a presidenta Dilma Rousseff não tem condições políticas de mudar nada agora. Todo ajuste só começará a ser feito depois das eleições. As próprias empresas não têm como tomar decisões de investimento neste momento, o que atrapalha o desenvolvimento e o crescimento do país”, explica.

Segundo o especialista, a economia só deve voltar a crescer no segundo semestre do ano que vem. “Os primeiros seis meses serão de ajustes”, prevê Braga.

Na pesquisa do BC também consta a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que passou de 5,49% para 5,39%, este ano, e de 4,97% a 5,08%, em 2015. Em relação ao IGP-M, a projeção foi ajustada de 4,4% para 4,05% neste ano e de 5,61% a 5,60%, em 2015. A previsão para o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) passou de 4,33% para 3,98% neste ano, e de 5,53% a 5,5%, em 2015.

A estimativa para a retração da produção industrial foi mantida em 1,53%, este ano. Para 2015, a expectativa é expansão de 1,70%. Já a previsão para o superávit comercial — saldo positivo de exportações menos importações — segue em US$ 2 bilhões (cerca de R$ 4,54 bilhões) este ano e passou de US$ 8,5 bilhões (R$ 19,29 bilhões, aproximadamente) para US$ 9 bilhões (R$20,43 bilhões) , em 2015.

Ganhos reais reduzidos

A queda no PIB afeta mais de 20 milhões de aposentados e pensionistas do INSS que recebem um salário mínimo e terão seus ganhos reais reduzidos. Atualmente, a fórmula para corrigir o piso nacional tem como base dois fatores: a variação da inflação oficial, o INPC do ano anterior e o crescimento do PIB do período anterior.

A Comissão de Assuntos Sociais do Senado aprovou na semana passada projeto que prorroga até 2019 essa fórmula para reajuste do mínimo. A atual prática governamental, que prevê ganhos reais acima da inflação, só teria vigência até 2015. A matéria segue para análise da Comissão de Assuntos Econômicos, onde recebe decisão terminativa.

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