Cresce consumo de cerveja sem álcool no Brasil

Setor registra alta de 5%, maior do que a das bebidas alcoólicas nos últimos cinco anos. Mercado prevê expansão ainda maior

Por O Dia

Impulsionado principalmente pelo rigor da Lei Seca, o mercado de cerveja sem álcool no Brasil cresceu em volume 5% ao ano nos últimos cinco anos, contra uma média de 3% da bebida alcoólica no período. Os dados são da consultoria Euromonitor International. Apesar de concentrado — as três líderes somavam 91,8% de participação de mercado em 2013 —, o setor vem ganhando novos concorrentes que morderam a participação de Ambev, Heineken e Cervejaria Petrópolis.

Em disputa está um mercado que no ano passado movimentou US$ 123,4 milhões (R$ 280,1 milhões), incluindo tanto cervejas totalmente livres de álcool como com graduação de até 0,5%.

“Em virtude do crescimento dessa categoria e a oportunidade vista por empresas de bebidas em crescer no mercado de cerveja sem álcool, houve a entrada de novos concorrentes no mercado, consequentemente é normal que novas marcas ganhem participação sobre as líderes”, disse Meika Nakamura, gerente de Pesquisa na britânica Euromonitor.

Líder absoluta de mercado, a Ambev viu sua participação no segmento cair de 71%, em 2011, para 69,9%, em 2013, apesar do lançamento em maio do ano passado da Brahma 0,0%, principal cerveja não-alcoólica da companhia.

Embora em expansão, o consumo de cerveja sem álcool ainda é pequeno no país. Em julho, representava 0,95% do mercado brasileiro de cerveja, contra 0,5% em 2011, segundo dados exibidos numa palestra recente de Carlos Brito, presidente da Anheuser-Busch InBev, no Rio.

Presidente da consultoria Concept, especializada em alimentos e bebidas, Alberto Viviani ressalta que o aumento nas vendas da variante não-alcoólica é uma sequência natural de mercado nos países onde o consumo per capita de cerveja está próximo do teto. Esse não é o caso do Brasil.“No país, ainda não estamos explorando todo o potencial de vendas. Em termos de consumo per capita ficamos atrás do México e da Venezuela, com 64 litros por habitante ao ano”, afirma o consultor. “Nos tornamos um país de classe média há pouco tempo”, completa.

Entre 2011 e 2013, a participação da Heineken — dona da marca Bavária sem álcool — encolheu 0,6 ponto percentual, de 12,3% para 11,7%, conforme indicam dados da Euromonitor. No mesmo período, o market share da Cervejaria Petrópolis (Crystal 0,0% e Itaipava 0,0%) diminuiu de 10,6% para 10,2%.

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