Por bferreira

Rio - Quando eu era criança, ouvia em casa que um copo de água não se nega a ninguém. Na mesma época, na escola, a professora dizia que nosso país era abundante em água e que ela nunca faltaria em nossas casas. Hoje, em 2014, parece que a realidade mudou. O crescimento desordenado da população povoou sem critérios urbanísticos as grandes metrópoles. Esse fato explica o desperdício de água, que com a falta de educação em geral e de respeito ao meio ambiente, motivou a escassez de água no Estado de São Paulo. Essa falta já está batendo na porta do Rio e há o risco de se expandir para toda a Região Sudeste.

Envolvida em grave crise hídrica, com os reservatórios que abastecem a Grande São Paulo secando, o estado mais rico do país reduziu de forma unilateral o volume de água que passa nos seus rios, retendo uma quantidade maior em seus depósitos para uso da população.

Trata-se de uma atitude aparentemente coerente, entretanto, além de uma crise federativa, ela pode afetar os demais estados do Sudeste, que além de ficar sem água, podem ficar sem energia.

É uma grande bobagem a discussão bairrista entre paulistas e cariocas. Séria mesmo é a constatação de que nesse imbróglio só há perdedores. Trata-se da falta de consciência do ser humano em viver harmoniosamente com a natureza e da incompetência dos nossos governantes em tomar medidas estruturais que impedissem a crise.

O pior disso tudo é que não há solução de curto prazo que não seja torcer ou rezar para São Pedro mandar chuva nos lugares certos. A água que era um bem universal e abundante, agora depende da fé. Mas tudo que já está ruim pode ainda ficar pior, porque a nossa reza pela chuva ainda pode ser feita com sede e no escuro.

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