Mercado prevê PIB ainda menor

Na 12ª semana seguida, levantamento do Banco Central mostra queda. Agora de 0,81% para 0,79%

Por O Dia

Rio - Pesquisa Focus do Banco Central divulgada ontem mostrou que a expectativa para o crescimento econômico neste ano foi reduzida pela 12ª semana seguida, a apenas 0,79%, sobre 0,81% no levantamento passado. Em 2013, o PIB cresceu 2,5%. O número vem junto com perspectiva de contração ainda mais forte para a indústria, de 1,76%, contra 1,53% antes.

Especialmente no segundo trimestre, os dados de atividade no Brasil vieram ruins, alimentando as expectativas de o país ter entrado em recessão técnica — quando há contração por dois trimestres seguidos. No trimestre passado, as vendas do varejo e a produção industrial recuaram 0,6 e 2% sobre o primeiro trimestre.

JUROS MENORES

O boletim Focus mostrou também redução na perspectiva para a taxa básica de juros no próximo ano, projetada agora em 11,75%, contra 12% na semana anterior.

Os economistas mantiveram a projeção de que a Selic encerrará 2014 nos atuais 11%, e veem que o novo ciclo de aperto monetário começará em março, com alta de 0,50 ponto percentual, igual à pesquisa anterior.

A alta nos juros vem junto com o cenário de inflação elevada. Os agentes consultados no Focus reduziram levemente a projeção de alta do IPCA em 2014 a 6,25%, sobre 6,26%. Esse é o mesmo nível esperado para o ano que vem, sem alterações, mostrando que não há expectativa de arrefecimento dos preços.

O Focus mostrou ainda que os economistas veem a alta nos preços administrados de 5,05% neste ano, levemente abaixo dos 5,10% esperados até então. Para 2015, as contas continuaram em 7% de alta.

Após o IPCA ter ficado no limite do teto da meta em 12 meses até junho, as atenções voltam-se agora para os números de agosto do IPCA-15 que o IBGE divulga amanhã. A meta do governo é de 4,5%, com margem de 2 pontos percentuais para mais ou menos.

Para os próximos 12 meses, houve ajuste de 0,02 ponto percentual para cima na alta do IPCA, a 6,21%.

Expectativa ruim na Europa

A expectativa de crescimento menor da economia brasileira reflete um pessimismo que atinge também outros centros industriais e comerciais. A zona do euro, por exemplo, deve crescer mais lentamente do que esperado durante o resto deste ano uma vez que conflitos na Ucrânia pesam sobre a confiança empresarial, afirmou ontem o banco central alemão.

A economia da zona do euro estagnou de forma inesperada no segundo trimestre, pressionada por uma contração na Alemanha e pela estagnação na França, levando a renovados pedidos para que o Banco Central Europeu forneça mais estímulo.

O BCE cortou as taxas de juros a mínimas recordes, mas a ação ainda não é visto como suficiente.

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