Preço do leite dispara e já pesa no orçamento familiar

Seca no pasto e alta do custo da mão de obra no campo influenciam no custo no varejo

Por O Dia

Rio - O preço do leite tem pesado mais no bolso do consumidor. O item teve alta de 2,16% em julho na comparação com junho. O litro ficou cotado em R$ 2,22, 8,2% mais caro em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa é de aumento nos próximos meses. Com isso, o produto se torna um dos vilões da inflação. Só não subiu mais pelo fato de os supermercados, por baixa procura, ainda segurarem os reajustes.

Os laticínios estão vendendo menos desde janeiro, período de entressafra leiteira. A manteiga e a coalhada puxaram a alta. Os preços dos derivados subiram 2,7% e 2,5%, respectivamente, no primeiro semestre.

Preço do litro do leite está 8,2% mais caro em relação a julho do ano passadoAndré Mourão / Agência O Dia

Entre as causas para a alta nos preços estão o encarecimento da mão de obra, o custo com adubo e a falta de chuva, que prejudicou a alimentação dos animais.

No varejo, os valores dos lácteos tiveram ligeira alta na segunda metade de julho em relação a primeira quinzena do mês. A tendência é de que o preço suba mais.

“O consumo está fraco.Em agosto, as vendas aumentaram por conta do fim das férias escolares, mas a comercialização deve voltar a cair já em setembro”, disse a analista Maisa Modolo, da Scot Consultoria.

Para o responsável pela equipe de leite da Escola Superior de Agricultura Luiz Queiroz (Esalq), Daniel Velasco, o cenário para os próximos meses não é muito bom. “O mercado entrou com expectativa forte nesse ano, mas a demanda por leite foi pequena. O resultado foi instabilidade nos preços, prejudicando a comercialização no varejo. Por isso, não temos cenários positivos no próximo mês”, avalia.</CW>

Segundo pesquisas da Esalq, o preço do leite líquido ao produtor (sem frete e impostos) teve queda inexpressiva de 0,01% e fechou julho deste ano, cotado a R$1, o litro do produto. No Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a foi na contramão dos alimentos e bebidas. O consumidor pagou 2,16% a mais pelo preço do leite.

O Índice de Captação do Leite (ICAP-L) do Cepea em junho teve aumento de 4,3%. Quanto aos preços pagos aos produtores em agosto, representantes de laticínios e cooperativas consultados pelo Cepea se dividem entre queda e estabilidade

De acordo com o Dieese, no primeiro semestre do ano o gasto com leite aumentou 3,50%. Assim como o tomate e a batata, a bebida impediu queda maior no valor da cesta básica de julho, que leva tem em sua composição conjunto de 13 produtos considerados necessários para uma única pessoa.

O valor da cesta básica caiu de R$343,44 para R$330,22, o que representou queda de 3,85% em relação à médio em junho. É a segunda redução consecutiva no ano.

Vendas lentas balizam preços mais que a escassez

A comercialização dos produtos derivados do leite melhoraram na segunda quinzena de julho em relação aos períodos anteriores, quando as indústrias se viram forçadas a diminuir preços para escoar os estoques. As vendas lentas nos últimos meses, no entanto, têm balizado mais os preços do leite do que a própria escassez de matéria prima no mercado.

Ainda que em queda, a captação está maior do que no mesmo período do ano passado. Este é outro fator que tem limitado as altas dos preços.

“O consumo de leite teve ligeira melhora porque os supermercados não estavam conseguindo aumentar ainda mais o preço do produto devido ao baixo consumo das bebidas”, explicou Maisa Modolo, da Scot Consultoria.

Segundo ela, mesmo que a produção aumente este ano, ainda estará menor do que no ano passado. A expectativa é a ligeira alta, porque o consumo anda oscilando e o varejo diminuiu a margem de lucro do produto e absorveu boa parte das altas para não prejudicar as vendas.

Em relação ao mesmo período do ano passado, a cotação está 1,1% menor. O litro passou a valer R$ 2,74 na segunda quinzena de julho.

A dificuldade do varejo em impor preços maiores para este produto indica a dificuldade no escoamento dos produtos.

“A expectativa no mercado foi maior que a demanda. Neste período, o estoque está maior que no ano passado”, disse o analista Daniel Velasco, da equipe da Esalq.

Para o especialista, o preço do leite está acima das cotações dos países exportadores, e a cotação instável do dólar não é bom negócio para a venda do produto.“Temos um cenário parecido com 2010, quando havia instabilidade. O preço ao produtor cairá até fim do ano”, acredita.

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