Por bferreira

Rio - Na entrevista da presidenta e candidata à reeleição Dilma Rousseff (PT) ao Jornal Nacional, da TV Globo, nesta semana, a economia foi um dos tópicos abordados. Os apresentadores não a pouparam e, em resumo, destacaram a fraca performance do seu governo nesta área, que produziu baixo crescimento do país, aumentou a dívida pública e foi tolerante com a inflação alta, no topo de meta do IPCA.

Os jornalistas William Bonner e Patrícia Poeta questionaram que a candidata vem justificando que tal situação ruim é uma consequência da crise econômica internacional ou então de uma visão de pessoas pessimistas. Dilma disse que a economia brasileira deve crescer no segundo semestre de 2014. Como uma das evidências, ela citou o crescimento da venda de papelão.

Muitos não entenderam o que o produto tem a ver com isso tudo. Na verdade, o papelão é usado como embalagem na cadeia produtiva. Assim, quando este material vende muito, pode sugerir que os outros setores também venderão, porque precisarão embalar a produção que pretendem vender. Com isso, Dilma pretendeu reforçar a visão otimista, com base em um indicador que ninguém no mercado tem ou acredita que seja de fato verdade.

Por trás disso tudo, há uma questão que passa despercebida. Em economia, a expectativa do que vai acontecer nos mercados influencia as decisões dos agentes financeiros.Assim, se uma pessoa acredita que algo acontecerá, se torna realidade.

Mas o inverso também é verdade. Se o discurso não convence e as pessoas não acreditam, elas não se movem e nada acontece. A economia está passando por esta segunda fase, onde a equipe do governo perdeu a guerra da credibilidade e, portanto, o papelão da presidenta não foi suficiente.

Professor Ibmec e Fund. Dom Carbral

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