Por bferreira

Rio - Nosso leitor atento, Diamantino me pergunta como é possível a economia do Brasil encolher, conforme demonstrou o PIB divulgado semana passada, e a Bolsa de Valores ter sido a melhor aplicação em agosto. “Um não deveria acompanhar o outro?”, questiona.

O leitor levanta ponto interessante, que merece resposta detalhada. O PIB apurado pelo IBGE encolheu 0,6% no2º trimestre de 2014. Como o resultado do 1º trimestre foi revisto de crescimento de 0,2% para queda de 0,2%, o país está tecnicamente em recessão (dois trimestres consecutivos de redução do índice). Isso pode ser prenúncio de desemprego, da inflação se manter em alta, de baixo investimento no setor produtivo, além de provocar onda de pessimismo generalizada no mundo dos negócios.

Ao mesmo tempo, os investidores de ações negociadas na Bolsa lucraram 9,78% em agosto e em 2014 já acumulam uma alta de 17%, o que é, por exemplo, mais do que o triplo do rendimento das cadernetas de poupança. A explicação é que um fato não tem relação direta com o outro, exceto por pertencerem ao universo da economia.

O PIB explica o passado, pois se trata de medida do que já aconteceu com as finanças do país, cujo resultado foi muito fraco. As cotações das ações na Bolsa expressam a expectativa de investidores no futuro, do que ainda vai acontecer. Logo, ambos não se conectam diretamente.

Mas falta dizer a razão desse bom prognóstico em relação ao futuro pelos aplicadores em ações. O que justifica o otimismo do mercado é que o resultado ruim do PIB está sendo colocado na conta do atual governo e como as pesquisas eleitorais passaram a indicar a real possibilidade da candidata Dilma Rousseff não se reeleger, os especuladores já começam a comprar ações de empresas estatais, na expectativa de mudanças na economia e de valorização dessas empresas. Dentre elas, o destaque é a Petrobras que foi muito desvalorizada com denúncias de desvios de recursos e uso político é a atualmente é a aposta preferida do mercado.

Professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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