Gilberto Braga: Momento de mudar a tática

Tema que incomoda a campanha à reeleição da presidenta Dilma Rousseff é o fraco desempenho da economia brasileira

Por O Dia

Rio - Tema que incomoda a campanha à reeleição da presidenta Dilma Rousseff é o fraco desempenho da economia brasileira em seu governo. Na semana passada ao ser perguntada sobre a manutenção de Guido Mantega à frente do Ministério da Fazenda em eventual segundo mandato, a presidenta respondeu que se reeleita será: “mandato novo, equipe nova”.

Na prática, a declaração equivale a uma demissão pública do ministro, só que ele continua no cargo. O episódio lembra uma frase do então ministro da Educação, Eduardo Portella, do governo João Figueiredo, que apoiou em pleno regime militar uma greve de professores públicos e foi demitido depois: “Não sou ministro; estou ministro”.

A declaração da presidenta, se por um lado pode agradar a uma camada do eleitorado descontente com os aumentos de preços, por outro, traz ainda mais intranquilidade ao mercado em geral. Passa uma sensação de que a economia do Brasil está sem comando.

Diante das reações negativas dos agentes econômicos à situação de Mantega, esta semana, a candidata esclareceu que o ministro sairá por iniciativa própria, devido a razões pessoais. Soou como uma tentativa de consertar o estrago, prestigiando o seu auxiliar e de restaurando-lhe a autoridade tirada.

Ao longo do mandato de Dilma, Mantega nunca conseguiu convencer o mercado de que de fato exercia a gestão da economia. Como é sabido, Dilma é economista de formação, sendo naturalmente uma das áreas em que deve se sentir mais à vontade para dar ordens e palpites. Mantega não convence mais, sua saída é necessária, mas não devia ter sido anunciada como foi, criando uma espécie de vacância com ele ainda no cargo.

Parece com aquele jogador de futebol que é escalado, mas quando entra em campo não joga nada. O problema é que na economia como no futebol, quando o time não está ganhando, mais do que mudar os titulares, é preciso mexer na tática. E isso, a técnica Dilma Rousseff ainda não explicou se vai fazer.

Professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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