Por bferreira

Brasília - O Banco Central (BC) considera ser “plausível” levar a inflação para a trajetória da meta dentro do cenário que não inclui queda do juro básico, ao mesmo tempo em que vê a pressão sobre os preços elevada, mas não mais “resistente”. A avaliação consta da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada ontem, reforçando perspectivas de que a taxa Selic continuará em 11% ao ano pelo menos até o fim de 2014, em meio a um cenário que inclui também atividade econômica fraca.

“Apesar de a inflação ainda se encontrar elevada, o Copom pondera que pressões inflacionárias ora presentes na economia tendem a arrefecer ou, até mesmo, a se esgotar ao longo do horizonte relevante para a política monetária”, informa em nota o BC. “Nesse contexto, é plausível afirmar que, mantidas as condições monetárias, isto é, levando em conta estratégia que não contempla redução do instrumento de política monetária, a inflação tende a entrar em trajetória de convergência para a meta nos trimestres finais do horizonte de projeção”, pondera.

Na ata anterior, divulgada em julho, o Copom não usou a expressão “plausível” para descrever esse cenário, mas que via um cenário de “inflação resistente nos próximos trimestres”, frase que retirou no documento divulgado ontem.

Pela ata, o BC também reduziu a projeção de inflação para este ano, mas encontrando-se acima do centro da meta, e manteve suas estimativas para 2015. A autoridade monetária também vê que “nos trimestres iniciais de 2016, as projeções indicam que a inflação entra em trajetória de convergência”para a meta. A meta de inflação do governo é de 4,5% ao ano pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

No último encontro antes da eleição presidencial em outubro, em 3 de setembro, o Copom manteve a Selic em 11% ao ano, sinalizando que não pretende mexer na política monetária tão cedo em meio à fraqueza da economia e com a inflação ainda elevada. O Copom também informou que vê que o ritmo de expansão da atividade doméstica tende a ser menos intenso este ano em comparação ao ano passado. A economia brasileira entrou em recessão técnica neste primeiro semestre.

Copom prevê reajuste no preço da energia este ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) também aumentou a projeção para o reajuste nos preços da energia elétrica em 2014, de 14%, previstos em julho, para 16,8%. A informação consta da ata divulgada ontem. A estimativa para a redução nas tarifas de telefonia fixa passou de 3,8% para 6,3%, ainda este ano.

Para o conjunto de preços administrados por contrato e monitorados pelo governo, a projeção é 5% em 2014, mesmo valor considerado na reunião do Copom de julho. De acordo com o BC, essa projeção considera variações ocorridas, até julho, nos preços da gasolina (-0,1%) e do botijão de gás (0,6%), bem como as projeções para as tarifas de telefonia fixa e de energia elétrica.

Em 2015, a estimativa de variação dos preços administrados é 6%, mesma projeção divulgada em julho. Para 2016, o BC projeta 4,9%, ante 4,8% considerados na reunião de julho. O movimento é trazer a inflação para o centro da meta.

Você pode gostar