Santander do Brasil vai ser 100% espanhol

Para crescer os lucros, acionistas aprovam aumento de capital para obter 24,75% da filial

Por O Dia

Rio - Acionistas do banco espanhol Santander aprovaram ontem em assembleia extraordinária a emissão de até 4,7 bilhões de euros em um aumento de capital para adquirir a fatia que a instituição ainda não possui na unidade brasileira. A operação contemplará a emissão de até 665 milhões de ações do banco, o equivalente a 5,62% do Santander.

Durante a reunião, a nova presidenta do Conselho de Administração do Santander, Ana Botín, disse que, com a aprovação da oferta para comprar os 24,75% da fatia brasileira que ainda não detinha, a política de diversificação do grupo se fortalece, sendo “chave para consolidar a nova fase de crescimento dos lucros.”

O Brasil, ao lado do Reino Unido, é um dos motores dos resultados do banco e um dos dez mercados nos quais o Santander conta com uma presença significativa em nível mundial. Ana enviou mensagem de confiança a respeito da economia brasileira, destacando que “superará o período de desaceleração econômica pelo qual está passando.” A executiva sinalizou que a transação permitirá a instituição um aumento nos lucros por ação do grupo nos próximos anos “graças às perspectivas favoráveis de nosso banco no Brasil”, disse.

Ela defendeu que a operação no país representa impulso para a política do grupo de ter subsidiárias listadas em bolsas de valores. No fim de julho, o banco se envolveu em um imbróglio, citando a eleição brasileira e a presidenta Dilma Rousseff.

Na época, veio a público a divulgação de boletim encaminhado aos clientes na categoria “Select”, segmento com renda mensal superior a R$10 mil, onde o banco afirmava que, se Dilma melhorar nas pesquisas de intenção de voto, os juros tendem a subir, o câmbio a se desvalorizar e a bolsa a cair, revertendo parte das altas recentes. Após protesto do governo, o Santander teve que se desculpar.

Ana Botín defende legado do pai

Em sua primeira aparição pública como presidenta do Conselho do Santander, Ana Botín protagonizou um discurso emotivo ao defender o legado de seu pai, apostando em continuar com a estratégia de diversificação do grupo e priorizando a política de dividendos.

“Em seus cerca de 30 anos na presidência do banco, ele colocou o Santander como primeira entidade da zona do euro e um dos primeiros 10 bancos do mundo em capitalização de mercado”, disse Ana em tributo ao seu pai, Emilio Botín, falecido na última terça-feira.

Diante de reservas expressadas por parte de alguns investidores quanto ao fato de o banco seguir comandado por um membro da família pela quarta geração, ela se limitou a dizer que foi nomeada a partir de uma “proposta em linha com os mais altos padrões de governança corporativa.”

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