Vendas para o Dia das Crianças não animam o comércio

Comerciantes de brinquedos esperam o menor crescimento das vendas em cinco anos

Por O Dia

Rio - O comércio não terá muito o que comemorar com as vendas para o Dia das Crianças. Projeção da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que as vendas a prazo para a data comemorativa devem crescer apenas 1,5% neste ano, ante mesmo período de 2013. Segundo a CNDL, caso se confirme a informação, será o menor aumento dos últimos cinco anos.

De acordo com Roque Pellizzaro Junior, presidente da confederação, inflação e juros altos são os fatores por trás do cenário menos otimista traçado pelos lojistas. “Os consumidores estão mais preocupados em não comprometer o orçamento com compras parceladas. Aqueles que optarem pelas compras a prazo vão dividi-las em menos prestações”, informou por meio de nota o presidente.

Roque Junior avalia ainda que o número de presentes ofertados será menor. “Se nos anos anteriores a criança ganhou dois ou três brinquedos, neste a tendência é de que ganhe menos”, relata o executivo.

A entidade revela que o setor vem desacelerando seu ritmo de crescimento desde 2010. Nos anos anteriores, os aumentos foram de 3,15% (2013), 4,83% (2012), 5,91% (2011) e de 8,5% (2010).

A confederação aponta ainda que, este ano, datas comemorativas como Dia das Mães, Dia dos Namorados e Dia dos Pais — exceção para a Páscoa — registraram desempenho inferior na comparação com o ano passado. Nessas três datas, houve quedas das vendas de 3,55%, 8,63% e de 5,09%, respectivamente.

ABAIXO DO ESPERADO

Pressionadas pelo desaquecimento da economia e um alto endividamento dos consumidores, as vendas do comércio continuam abaixo do esperado. Dados divulgados ontem pelo Boa Vista — Serviço Central de Proteção ao Crédito mostram que o movimento do setor caiu 1,4% no mês de agosto, na comparação mensal, de acordo com os dados nacionais do varejo.

Conforme os números da instituição, no acumulado em 12 meses, de setembro do ano passado a agosto deste ano, houve aumento de 4,2% no movimento varejista. Também houve alta de 2,3% na variação interanual (agosto de 2014 contra agosto de 2013). O setor de supermercados, alimentos e bebidas caiu 1,3% no mês passado. Já na categoria de tecidos, vestuários e calçados, a queda foi 1,1%.

Em uma análise de longo prazo, medida pela variação do acumulado em 12 meses, a evolução do varejo, segundo o Boa Vista, tem sido modesta, sustentando a previsão de que o crescimento em 2014 deverá ser próximo ao observado em 2013, em torno de 4%. “Levamos em consideração as consultas ao SPC de cheque e crédito. O nosso resultado é semelhante ao do IBGE. O comércio tem crescido menos”, diz o economista do Boa Vista, Flávio Calife.

Segundo ele, são muitas as variáveis que justificam a queda, a inflação de 6,51% (IPCA em 12 meses até agosto), acima do teto da meta do governo, que é de 6,5%, o crédito mais restrito, os juros mais altos.

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