Guido Mantega e Armínio Fraga se alfinetam sobre a economia do país

Debate promovido pela jornalista Miriam Leitão, na GloboNews

Por O Dia

Rio - O ministro da Fazenda Guido Mantega e o economista Armínio Fraga, possível chefe da pasta numa eventual vitória de Aécio Neves, apontaram suas diferenças no rumo da economia do país, ontem à noite, durante o debate promovido pela jornalista Miriam Leitão, na GloboNews. Mantega defendeu a manutenção dos investimentos do governo de Dilma Rousseff em programas sociais e desonerações de setores da economia. As medidas têm garantido o nível do desemprego muito baixo e o consumo em alta. Já Armínio Fraga voltou a criticar o que o representante tucano chama de baixo crescimento do país.

Logo no primeiro tema, inflação a 6,75% (acima do teto da meta, sendo o centro de 4,5% com margem de dois pontos percentuais para cima ou para baixo), Mantega confirmou que a pressão inflacionária dos alimentos vem caindo e que no fim do ano o índice fechará entre 6,3% e 6,4%.

O ministro confirmou que o governo continuará no forte combate para manter a inflação sob controle. Já para o representante do PSDB, a alta de preços estaria fora controle porque o crescimento da economia é baixo devido à falta de confiança do mercado.

Mantega lembrou que o governo Dilma enfrentou uma crise internacional, iniciada em 2009, e que ainda reflete em todos os países, principalmente na Europa e, até mesmo, na China, que estão em desaceleração. Já o Brasil investiu, lembrou o ministro, em políticas sociais, baixando juros e impostos de setores importantes e garantindo o emprego, além do consumo interno.

Fraga, por sua vez, criticou o uso dos bancos públicos que, segundo o economista, privilegia apenas alguns setores da economia, num modelo distributivo de subsídios gerando, segundo ele, uma conta maior do que a soma do Bolsa Família e 80% do Minha Casa, Minha Vida.

Por fim, Mantega considerou a estabilidade da economia nacional, mais sólida do que há 12 anos e preparada para um novo ciclo de crescimento, a partir dos investimentos que vem sendo feitos em concessões de determinados serviços (como aeroportos e estradas), em programas de infraestrutura (como o PAC) e no social (como o Minha Casa, Minha Vida). Fraga finalizou dizendo que é preciso recuperar a confiança do empresariado para retomar o crescimento.

JUROS RECUAM APÓS 15 MESES DE ELEVAÇÃO

EM QUEDA
Os juros médios cobrados do consumidor recuaram em setembro, após 15 meses de alta.

MENOR DESDE JULHO
Segundo a Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), as taxas médias passaram de 6,08% em agosto (103,05% ao ano) para 6,06% em setembro (102,59%), sendo este o menor índice desde o mês de julho de 2014, para pessoa física. Para Miguel José Ribeiro de Oliveira, diretor da Anefac, as reduções podem ser atribuídas à interrupção da alta da Selic e à sinalização do Banco Central de que os juros básicos vão se manter inalterado nos próximos meses, além da estabilização dos índices de inadimplência. Atualmente, a Selic está em 11% ao ano.

QUATRO EM SEIS
Em setembro, quatro das seis linhas de crédito pesquisadas para pessoa física tiveram suas taxas reduzidas: comércio, financiamento de veículos, empréstimo pessoal em financeiras e oferecido por bancos. Os juros no cartão de crédito se mantiveram estáveis, enquanto os do cheque especial subiram. Para pessoa jurídica, houve redução de 0,01 ponto no mês.

FUTURO
Para o futuro, a Anefac acredita que há boa probabilidade de que as taxas de juros das operações de crédito se mantenham inalteradas.

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