Por bferreira

Rio - No último domingo, o Painel da ONU sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) divulgou relatório sobre as mudanças do clima no mundo, que serve de alerta para o Brasil e toda as populações dos demais países. O IPCC fixou como meta que, para evitar mudanças climáticas drásticas no planeta, será necessário eliminar o uso de combustíveis fósseis nos próximos 100 anos.

Dentre as possíveis consequências da falta de respeito em geral com o meio ambiente, o IPCC aponta a elevação da temperatura mundial em quatro graus Celsius, o degelo do Ártico, provocando inundações, e a elevação do nível do mar até 82 centímetros, destruindo muitas faixas litorâneas de terras, tudo isso ainda neste século 21.

Não se trata de discurso ambientalista “ecochato” ou de um trabalho utópico de faculdade, mas de relatório chancelado pela ONU. Por isso, os avisos devem ser levados a sério. Não se sabe com certeza quais são as dimensões dos problemas, mas com certeza, todas são ruins.

No Brasil já é possível perceber a carência de chuvas, a crise hídrica e a falta de água em São Paulo, que também ameaça desembarcar no Rio ainda em 2014.

Como consequência do baixo volume dos rios, a geração hídrica de energia está afetada e não conseguimos produzir toda a eletricidade para o consumo da população brasileira. Por isso, o governo acionou usinas térmicas, que são alimentadas por combustíveis fósseis, o que encarece os custos de produção. Por isso tudo, no Rio, a Light está reajustando, em plena época de aumento de consumo, a tarifa residencial em 17,75%. O desrespeito à natureza já está doendo no bolso de cada um de nós.

O prazo para a conscientização e mudança de hábitos foi fixado pelo IPCC em 100 anos. Certamente a maioria de nós não estará mais no plano terreno para conferir, mas nem por isso nos autoriza a não se esforçar e a achar que ainda falta muito tempo. Se não começarmos agora a transformação das sociedades, poderá não haver legado de vida com qualidade para gerações futuras.

Gilberto Braga é Professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

Você pode gostar