Por bferreira

Brasília - O risco de faltar energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste do país passou de 4,7% para 5%, o limite máximo tolerado pelo governo federal. O anúncio foi feito ontem após a reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE), órgão vinculado ao Ministério das Minas e Energia. Atualmente, os reservatórios do Sudeste estão com volume médio de 18%. O risco de falta energia no Nordeste é 0,7%.

Para 2014, a chance de desabastecimento foi descartada. A informação do comitê veio no mesmo dia em que o Operador Nacional do Sistema (ONS) afirmou que não vai promover cortes de energia no verão.

Sistema Cantareira, em São Paulo: a falta de água prejudica a geração de energia no país e poderá provocar falta de luz no ano que vem Reuters

Em nota, o comitê informou que a situação do sistema de geração e distribuição de energia se encontra em “equilíbrio estrutural”. No entanto, o órgão afirmou que podem ser necessárias “ações conjunturais necessárias”, sem especificar quais seriam as medidas.

Especialistas do setor veem o cenário com preocupação e desconfiança. Eles afirmam que o risco de 5% está subestimado e criticam o governo por não se mover para evitar prejuízos no futuro, caso o volume de chuvas fique abaixo da média histórica.

Para o professor do Departamento de Energia Elétrica da PUC-Rio Alexandre Street, o governo precisa ter critérios mais objetivos para definir a necessidade de racionamento. “Hoje o critério é político. Não há como saber se 5% é um risco suficiente para se decretar um racionamento”, afirma.

A população pagará pela escassez, com aumentos da tarifa de energia acima da inflação. Ontem, foi autorizado reajuste de 19,23%, em média, nas contas da Light.

“É uma perversidade você não informar a população. É preciso adotar medida de racionalização do uso por que cada megawatt-hora custa muito caro”, afirma Roberto D’araújo, diretor do Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina). “Se for preciso racionamento no futuro, ele será mais grave porque não adotamos nenhuma medida de redução agora”, alega.

Na indústria, a alta do preço da energia promoveu uma espécie de racionalização forçada. As fábricas desaceleraram a produção para vender energia no mercado livre, onde o megawatt-hora está custando R$ 822. Segundo o balanço trimestral da Usiminas, a siderúrgica faturou R$124 milhões entre julho e setembro deste ano com a venda de energia excedente.“É indicador de que o sistema já está tão estressado que o valor ficou muito alto para o processo produtivo”, afirma Street.

ONS nega corte no verão

O Operador Nacional do Sistema (ONS) negou ontem que esteja estudando a implementação de “cortes seletivos” de energia na Região Sudeste durante o verão. A informação de que o órgão estaria articulando a medida foi publicada na ‘Folha de S. Paulo’ ontem. Segundo o jornal, as distribuidoras e os geradores de energia foram avisados dos cortes em uma reunião na última quinta-feira.

Ainda de acordo com a publicação, o ONS estaria estudando cortes durante a madrugada para manter os níveis de reservatórios das hidrelétricas na estação mais quente do ano. O jornal informou ainda que a medida seria necessária se o volume de chuvas nos próximos meses não fosse suficiente para elevar o nível da usinas para pelo menos 30% até janeiro.

Em nota, o ONS desmentiu a informação, alegando que já está tomando medidas para garantir o suprimento de energia, como o uso das termelétricas e a exploração dos reservatórios do Norte e Sul do país, que estão mais cheios, de modo a evitar o uso dos volumes de água do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, cuja situação é mais delicada.

“O conteúdo da matéria é alarmista e não corresponde à realidade dos resultados dos estudos do Programa Mensal de Operação do mês de novembro”, informou o ONS, por meio de nota.

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