Quedas da Petrobras na bolsa preocupam trabalhadores

Especialistas recomendam cautela a quem tem ações, entre eles 66 mil cotistas do FGTS

Por O Dia

Diante da turbulência que tomou conta da Petrobras nos últimos dias, analistas trabalham com uma palavra de ordem quando se trata de decidir o que fazer com as ações da petrolífera: cautela. No período, a companhia acumulou perdas sucessivas em seus ativos, provocadas pelos desdobramentos da operação Lava-Jato, entre eles o adiamento do balanço financeiro da companhia. Ontem, as ações preferenciais (sem direito a voto) fecharam em queda de 1,19%, a R$ 11,94, a menor desde março, quando o papel caiu a R$ 11,84. As ordinárias passaram a valer R$ 12,45, com queda de 1,19%.

A instabilidade afeta diretamente 66 mil trabalhadores que possuem dinheiro do Fundo de Garantia (FGTS) aplicado em cotas da empresa. Quem optou por trocar a rentabilidade baixa do fundo (3% ao ano) pelas ações fez bom negócio até agora. Segundo cálculos de Mário Avelino, do Instituto Fundo Devido ao Trabalhador, quem aplicou R$ 1 mil em 2000, por exemplo, hoje tem R$ 1.882,70 de acordo com o rendimento do FGTS. Já quem optou pelas ações tem R$ 2.790,50. Ele não recomenda que o trabalhador venda as cotas, a menos que possa sacar o dinheiro imediatamente.“Quando você vende, o dinheiro não vai para seu bolso. Ele volta para o fundo, onde desvaloriza”, afirma.

Para Mauro Calil, fundador da Academia do Dinheiro, a orientação depende de quando o FGTS estará disponível para saque. Segundo ele, se o acionista não for se aposentar nos próximos cinco anos, o melhor é deixar o dinheiro aplicado na empresa. “A Petrobras paga dividendos de 3% a 5% ao ano, o que já é mais que o rendimento do FGTS”, afirma. Para quem vai se aposentar em menos de dois anos, ele orienta a venda dos papéis.

“Neste caso, o melhor é aproveitar uma semana de alta e retirar, para não ficar com essa dor no estômago”. Ele diz ainda que o cenário mais complicado é para o trabalhador que vai se aposentar num prazo de três a quatro anos, pois é difícil prever o que acontecerá com a companhia neste período. “Pode ser interessante vender parcialmente, mas não existe resposta exata”, afirma.

A mesma cautela vale para os acionistas que não têm o ativo vinculado ao FGTS. Segundo Cássia Inez Pontes, analista da Lopes Filho Consultoria de Investimentos, o saque só é recomendável a quem não pode suportar mais riscos. “Se o investidor teve sangue frio até agora, é melhor ele esperar. O alento que tem é acreditar no aumento da produção”, afirma.

A analista não recomenda a compra dos papéis agora mesmo com os preços em níveis baixos. Cássia avalia que o momento é muito nebuloso para prever a recuperação. “O papel não está caindo só por causa da corrupção. É bom esperar a divulgação do novo plano de negócios, pois os valores do câmbio e do barril de petróleo do plano atual são diferentes dos valores que estão em vigor”, avalia.

Bovespa fecha em alta

Após fechar em queda durante três dias seguidos, a Bovespa teve alta de 1,57% no pregão de ontem a 52.061 pontos. As maiores valorizações foram da BR Malls ON, que subiu 5%, a R$ 17,22, e do Bradesco ON, com alta de 4,77%, a R$ 35,51.

A Vale pressionou o índice para baixo, com quedas de 4,71% (Vale PNA N1) e 4,05% (Vale ON N1). A Eletrobrás caiu 3,69%. A estatal do setor de energia vem acumulando fortes baixas nos últimos dias e ainda repercute o balanço publicado na segunda-feira, que apontou um prejuízo de R$ 2,73 bilhões no último trimestre.

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