Por bferreira

Rio - A carne continuará a vilã das compras nos supermercados. É o que alerta a prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) deste mês. Na pesquisa divulgada ontem pelo IBGE, o preço do alimento avançou pelo terceiro mês consecutivo, com alta de 1,9% no período. Mesmo com a influência do item, o indicador apresentou queda de 0,10 pontos percentuais, registrando 0,38%. Em outubro, o índice foi de 0,48%.

A alta menos expressiva do indicador geral este mês aliviou a inflação acumulada. Em 12 meses, subiu 6,42%. Em outubro estava acumulado em 6,62%. Já ao longo deste ano, o IPCA-15 tem crescimento de 5,63%, se afastando ainda mais do teto da meta para a inflação do governo, de 6,5% ao ano.

Mesmo assim, o aposentado Fernando Ribeiro, 62 anos, enfrenta dificuldades para fazer as compras. “Tivemos que diminuir a quantidade de carne vermelha que a minha família come. A saída foi trocar por frango e peixe”, relata o morador da Lapa.

Outros alimentos também pressionam a inflação neste mês. A batata inglesa, por exemplo, subiu 13,85%, enquanto o tomate ficou 12,12% mais caro. Também contribuíram para a taxa itens como energia elétrica, que ficou teve elevação de 1,17%, e aluguel, com alta de 0,62%. Com isso, o grupo habitação subiu 0,56% na prévia de novembro.

A gasolina, que teve correção de preço da ordem de 0,68%, e o conserto de automóvel (1,68%) pressionaram o grupo transportes, que teve alta de 0,2%, apesar da queda nos valores de outros itens como passagem aérea (-2,35%) e ônibus interestaduais (-0,50%).

Para o professor de Finanças do Ibmec, Gilberto Braga, ainda não é tempo para comemorar. “A queda pode ter sido isolada. Isso quer dizer que não temos ainda como prever um recuo nos próximos meses”, avalia.

Entretanto, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, vê um cenário futuro com a inflação mais baixa. Ele indicou, ainda, que pode não ser necessário aumentar a Selic nas próximas reuniões do Banco Central. Para ele, tudo dependerá da forma como será conduzida a política fiscal e do comportamento dos preços.

“Com a inflação de hoje, mais moderada, significa que não é necessária nenhuma medida adicional. Isso é a minha opinião. Mas o Copom tem autonomia. O que posso dizer hoje é que a inflação está mais baixa”, afirmou ontem o ministro.

Colaborou Angelica Martins

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