Preços de itens da ceia de fim de ano podem variar mais de 200%

Dica para economizar é buscar substitutos mais em conta

Por O Dia

Rio - A um mês do Natal, com o comércio já abastecido, os consumidores já começam a planejar a ceia de fim de ano. O momento é de pesquisar preços e buscar as melhores ofertas para economizar. 

Levantamento do DIA mostra que a diferença no preço de itens típicos da época, como o bacalhau, chega a 226% em alguns estabelecimentos da cidade. Outros alimentos, como a batata e o tomate, ficaram mais caros e pressionaram a inflação. Para economizar, a dica é substituir os produtos por equivalentes mais baratos. 

Indispensável na ceia, o preço mais baixo para o quilo da posta de bacalhau foi de R$ 26,90 e, o mais caro, de R$ 87,70. O valor varia de acordo com o estabelecimento, mas também com o tipo do pescado. De modo geral, o imperial e o saith saem mais em conta, enquanto o norueguês e o Gadus Morhua são mais caros.

Se o consumidor quiser economizar, pode optar pelo bacalhau em lascas ou desfiado, encontrado a partir de R$ 25,90 o quilo, no Super Prix, por exemplo. Já para os mais extravagantes, há a opção do superlombo de Gadus Morhua, vendido a R$ 127 o quilo na Lidador.

A vendedora Patrícia de Sá Lima inova nos pratos para economizar. A ceia de Natal terá bacalhau gratinado e bolinhos%2C que rendem maisFernando Souza / Agência O Dia

A vendedora Patrícia de Sá Lima, de 48 anos, já começou a comparar preços para os itens da ceia. “Comprei bacalhau, mas achei os preços altos. Para não gastar tanto, vou fazer salada de bacalhau com batata e pimentão. Ou então posso fazer gratinado. Bolinho de bacalhau também não pode faltar”, afirma ela.

Médico-nutrólogo e gastrônomo, José Alexandre Portinho afirma que o peixe pode ser facilmente substituído pela sardinha. “É um alimento com valor nutritivo equivalente. Além disso, a sardinha é muito mais barata. Custa cerca de R$ 3 o quilo. Para ficar mais saudável, deve ser feita no forno, com camada de cebolas por baixo”, ensina Portinho.

O tradicional peru, por sua vez, tem variação pequena no preço (13%). O menor valor encontrado para o quilo foi de R$ 14,98 e, o maior, de R$16,98. Para Portinho, o alimento é uma opção saudável para a ceia. “Mas é importante tirar a pele na hora de consumir”, alerta.

O aumento dos preços dos alimentos, embora tenham desacelerado de 0,69% em outubro para 0,56% em novembro, continuaram a pressionar a prévia do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), do IBGE.

A variação nesse grupo foi puxada principalmente pela batata inglesa (13,85%) e tomate (12,12%). A cebola ficou mais barata 12,49%.

Como alternativa, o nutrólogo sugere que a batata inglesa seja substituída pela doce, mais barata. “Esta, inclusive, ganha em valor nutricional”, acrescenta.

Economize: Deixar para comprar em cima da hora pode custar até 20% a mais

O publicitário Jair Palmeira, de 58 anos, costuma comprar os produtos da ceia com antecedência para pagar mais barato. “Com a proximidade do Natal, os preços podem ficar até 20% mais altos”, diz.

O publicitário Jair Palmeira%2C 58 anos%2C antecipa as compras de Natal para conseguir pagar mais baratoFernando Souza / Agência O Dia

O nutrólogo José Alexandre Portinho afirma que o ideal é comprar, no máximo, até o começo de dezembro: “Além de ser mais barato, a qualidade dos produtos agora é melhor”.

Além do bacalhau, também já estão disponíveis no mercado outros produtos típicos do Natal, como amêndoas, nozes e avelãs. Nas Casas Pedro, a castanha portuguesa está saindo por R$ 29,80, o quilo. Já as avelãs e amêndoas custam R$ 29,80, o quilo. Também é possível encontrar frutas cristalizadas por R$ 5,80, o quilo.

Acompanhamento indispensável do bacalhau, o azeite tem uma variação grande de preços. O mais barato encontrado pela reportagem custa R$ 4,99 (a garrafa de 500ml), no Guanabara, enquanto o mais caro deles chega a custar R$ 325,10 na Lidador. Também há opções na mesma loja por R$ 8,30 e no Extra por R$8,88. Nas Casas Pedro, o azeite custa R$ 17,99.


Panetone: Lojas inovam nos sabores

A cada ano, o panetone ganha versões para agradar a gregos e a troianos. A aposta da Cacau Show este ano, por exemplo, é para o versão com gotas de chocolate, recheada com trufa e cobertura de chocolate belga (R$ 49,90). 

Para combinar com o verão, a rede criou também o de trufado de maracujá, coberto com chocolate ao leite (R$ 44,90). Ao todo, foram 11 lançamentos só para o fim de ano. 

A Kopenhagen, por sua vez, investiu no panetone Língua de Gato com recheio de doce de leite (custa R$ 74,90), além das versões com gota de chocolate ao leite e frutas cristalizadas. A marca criou também as trufas natalinas (R$ 44,90) e os cookies natalinos (à venda ao preço de R$ 83,60).

A novidade da Chocolates Brasil é o panetone recheado com brigadeiro de morango (R$ 42,90). Também há opções mais em conta, como o panetone com gotas de chocolate (R$ 21,90) e o de brigadeiro (R$35,90).

Cestas: Natal com praticidade

Para quem não quer esquentar a cabeça pensando na ceia ou prefere evitar o trabalho na cozinha, encomendar a ceia de Natal é uma boa alternativa.

Na Lidador, por exemplo, o valor das cestas, que também são um bom presente, varia de R$ 178,22 a R$ 17 mil. A segunda opção inclui champanhe, vinhos, patê de foie gras, marrom glacê e taças de cristal, entre outros itens.

Já a MP Tortas Boutique, no Recreio, aceita encomendas até 20 de dezembro para o Natal e 27 de dezembro para o Ano Novo. O cardápio inclui bacalhau ao forno com creme de abóbora e aipim, que sai por R$200. Também é possível optar pelo lombinho ao molho de ameixas, acompanhado por farofa de castanhas e damasco, que custa R$120.

Até terça-feira, os clientes também poderão antecipar suas compras de fim de ano no Pão de Açúcar Delivery. Basta acessar o site www.paodeacucar.com.br, informar o endereço de entrega e selecionar a “Pré-venda Especial de Natal”.

São mais de 70 itens, entre bebidas (como espumantes e vinhos), cestas de Natal e panetones. As compras serão entregues no local escolhido.

ICMS e alta do dólar pesam sobre os importados

Dono da Lidador, o empresário Joaquim Cabral Guedes, de 90 anos, criticou a carga tributária dos produtos importados e a alteração no regime de cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no Rio. O vinho, entre outros itens, entrou na lista de substituição tributária este mês.

Apesar de a Secretaria Estadual de Fazenda afirmar que a mudança não tem impacto no preço, Joaquim Cabral explica que o vinho ficou mais caro, o que prejudica as vendas. “Achei injusto terem feito essa mudança às vésperas das festas de fim de ano”, afirma.

À frente de uma das lojas mais tradicionais do Rio%2C Joaquim Cabral Guedes%2C 90 anos%2C critica a tributação sobre os itens importadosFernando Souza / Agência O Dia

Ele conta que vendia, em média, cerca de 40 mil cestas de Natal. Para este ano, espera vender no máximo 10 mil. “É muita despesa e pouco lucro”, lamenta.

Cabral trabalha na Lidador desde os 8 anos, quando a rede de lojas era administrada por seu tio, o fundador. “Nós tínhamos o diferencial de vender produtos que as pessoas não encontravam em outros lugares. O (presidente) Getúlio Vargas, por exemplo, só comprava uísque da Lidador”, conta ele, orgulhoso.

Hoje, as lojas da rede competem com os supermercados, que também vendem produtos importados. “O dólar alto também atrapalha, pois esse custo tem que ser repassado ao consumidor. Mesmo assim, ainda temos clientes fiéis, que só compram conosco”, diz.

À frente de uma das lojas mais tradicionais do Rio, Joaquim Cabral Guedes, 90 anos, critica a tributação sobre os itens importados



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