Produtos vendidos na praia já começam a sofrer aumento sazonal de preços

O eterno biscoito Globo, que era vendido a R$3 (na promoção, são dois por R$ 5), está sendo comercializado a R$ 4. O mate de galão, outro clássico veranil, bateu na casa dos R$ 5

Por O Dia

Rio - No verão carioca, os preços sobem no compasso dos termômetros. A uma semana do início da estação, a inflação sazonal dá sinais nas praias, atingindo itens da cesta praiana. O eterno biscoito Globo, que era vendido a R$3 (na promoção, são dois por R$ 5), está sendo comercializado a R$ 4 por alguns ambulantes. Na fábrica, o pacote com 50 unidades passou de R$ 40 para R$ 50. O mate de galão, outro clássico veranil, bateu definitivamente na casa dos R$ 5. Até ano passado, ainda era possível encontrar a bebida por R$ 4. Uma variação de 25%.

O picolé Itália, que custava R$ 2,50 nas lojas, passou para R$ 3,50, aumento de 40%. Nas praias, a iguaria chega a R$ 6. A empresa afirma que mantinha o mesmo preço há dois anos, mas o encarecimento de custos como a energia e a mão de obra tornaram o reajuste inevitável. “Com a estiagem prolongada, os preços de fruta e leite, principais insumos, sofreram reajuste acima da inflação”, informou.

A fisioterapeuta Bruna Rauber se recusou a pagar R%24 10 para alugar um guarda-sol em Ipanema. Bruno de Lima / Agência O Dia

Outro produto que sofreu com o aumento das frutas foi a caipirinha. Ela pode ser encontrada com preços entre R$ 8 e R$ 15 pela orla da Zona Sul. “O limão era R$ 3 o quilo, e passou para R$ 10”, afirma o barraqueiro Rodrigo Araão, que trabalha no Arpoador e subiu o preço do drinque de R$ 10 para R$ 15, aumento de 50%.

Segundo o economista André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV), os produtos praianos estão sujeitos à mesma inflação que incide sobre os demais itens, devido à pressão de custos como a energia e a gasolina. Outro fator que impulsiona os preços é o aumento da demanda no período. Braz afirma que, por mais que o morador da cidade se irrite, ele é o maior responsável pela situação que encontra nas praias.

Meu escritório é na praia%3A morador de Irajá%2C Douglas Henrique está desempregado e visita a orla pelo menos três vezes por semana e leva bolsa térmica com cerveja para não gastar muitoBruno de Lima / Agência O Dia

“Ninguém é obrigado a pagar. Você pode levar sua cadeira e sua canga para a praia. A resposta que o consumidor dá aos aumentos determina o preço. Se todo mundo decidir não pagar, o preço não vai subir”, afirma. A solução sugerida pelo economista foi adotada por Douglas Henrique da Silva, 21. Habituado a ir à praia no Leblon, o morador de Irajá leva cadeira e sua bolsa térmica para as areias. “No supermercado, compro o latão de cerveja por a R$ 3. Se fosse pagar na praia, gastaria entre R$ 6 e R$ 7, com cada uma”, explica.

Braz diz que o consumidor deve levar em conta que, na praia, ele não paga apenas por um produto, e sim por um serviço. “Você desembolsa pelo tempo daquela pessoa que está caminhando na areia quente para te dar conforto. Pensando dessa forma, não é tão caro”, defende.

Givaldo Pereira%2C ambulante há dez anos%2C negocia o preço do mateBruno de Lima / Agência O Dia

Negociação é opção

Quem procura economizar na praia tem três opções: levar produtos de casa, gastar sola de sapato ou negociar. O aluguel de barracas e cadeiras, que causou controvérsia no verão passado, varia de acordo com o ponto. Cadeiras podem ser encontradas entre R$ 3 e R$5 na extensa faixa entre o Leme e Leblon. Já o guarda sol varia de R$ 5 a R$10.

“Fui a Ipanema no fim de semana e queriam me cobrar R$ 10. Não aceitei. Hoje me pediram R$ 5 e paguei, pois acho justo”, afirmou a fisioterapeuta Bruna Rauber, enquanto tomava sol na altura do posto 11, no Leblon. Desde o ano passado, os barraqueiros são obrigados a estampar os valores dos produtos em tabelas visíveis aos clientes, facilitando a busca por preços mais baixos.

Marcos Magno e Ben-Hur Douglas tentam segurar os repassesBruno de Lima / Agência O Dia

Os comerciantes, que muitas vezes são vistos como vilões, afirmam que sofrem com a pressão de custos dos fornecedores. “O gelo que compramos a R$ 12 durante o ano, sobe para R$ 25 no verão”, afirma Marcos Magno, que trabalha na barraca do Paulinho, no Leblon. Atualmente, ele cobra R$ 5 por cadeira ou barraca e afirma que ainda não sabe se vai subir os preços no auge da estação.

Outra opção do cliente é barganhar. No mercado informal, a negociação é sempre bem vinda. “Cobro R$ 5 no mate, mas com um choro, pode sair a R$ 4”, diz Givaldo Pereira, que vende o produto há dez anos no Leblon. Ele afirma que a caixa de mate a granel, que custava R$ 6, passou para R$ 7 neste ano. 

“Ali é como se fosse uma feira livre. Mesmo quando a praia está cheia, é possível negociar. Os vendedores de mate, por exemplo, as vezes estão quase descarregando o galão e aceitam vender mais barato para poder ir embora logo”, diz André Braz.

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