Com organização, é possível sobreviver a janeiro sem se afundar em dívidas

Especialistas mostram como entrar o ano no 'azul'

Por O Dia

Rio - Para muita gente, a tentativa de começar o ano com o pé direito pode esbarrar em grande obstáculo já nos primeiros 30 dias de 2015. Janeiro corre risco de se tornar arapuca para as famílias que não se planejam financeiramente. Diante da previsão de cenário difícil para a economia brasileira, com juros altos e pouco crescimento, especialistas alertam para a necessidade de se programar para enfrentar os próximos meses sem sobressaltos na conta bancária.

Há pelo menos quatro tipos de gastos que costumam defasar o orçamento em janeiro: despesas com educação, impostos (IPTU e IPVA), férias escolares e a temida fatura do cartão de crédito referente a dezembro, quando são debitados todos os excessos do Natal e Ano Novo.

A empresária Simone Fragoso com o marido Pedro e a filha Bia%3A organização nas finanças permitiu que a família viajasse em janeiro deste anoAndré Mourão / Agência O Dia

Como são despesas previsíveis, o ideal é vir poupando durante todo o ano para o desembolso em janeiro. “A recomendação é que a pessoa faça uma reserva, mas sabemos que isso dificilmente acontece”, afirma o professor Fábio Rhein, do Ibmec.

Se a provisão não foi feita adequadamente, o melhor é ter guardado parte do 13º para o pagamento e adotar táticas para mitigar as despesas. No caso dos impostos, é interessante pagar antecipadamente e aproveitar os descontos. No Rio, é possível usar os créditos do programa Nota Carioca no IPTU e ainda aproveitar desconto de 7% na parcela única. Já o IPVA de 2015 terá 8% de abatimento para quem pagar optar também pela em cota única.

Os gastos com educação também podem ser minimizados com algumas medidas simples. Segundo Waldeli Azevedo, consultora do Finanças Práticas, o primeiro passo deve ser olhar o material atual para ver o que pode ser aproveitado no ano seguinte, como mochila, estojo, fichário e lancheira. Outra dica é não levar as crianças para as compras. Além disso, as mensalidades devem subir 8% no Rio.“Crianças têm essa coisa de grife, se apegam à marca. Muitas vezes, os produtos saem caro e a qualidade nem sempre é boa”, afirma.

Outro gasto comum no ano é com as férias. Neste ano, quem vai para o exterior tem uma preocupação extra: a alta do dólar. Na sexta-feira, a moeda fechou em R$2,80, o dólar turismo.

O educador financeiro Reinaldo Domingos recomenda planejar a viagem com o máximo de antecedência, para comprar passagens mais baratas. Durante o passeio, ele lembra que é preciso incluir o IOF nas compras (6,38%). Uma sugestão é usar aplicativos para fazer ligações em longa distância, como o Skype e Viber, que permitem ligações gratuitas.

Mudança de hábitos

Há dois anos, a empresária Simone Fragoso viu que precisava mudar de hábitos. O dinheiro dela e do marido não chegava ao fim do mês e era hora de tomar uma atitude. Com organização, a família passou a poupar sem precisar cortar muitos gastos. A maior mudança foi no uso do cartão de crédito. De três, Simone passou a ter apenas um, com limite reduzido.

Hoje em dia, ela coloca todos os gastos em uma planilha e faz poupança específica para pagar despesas com a educação dos filhos no fim do ano. A compra dos presentes de Natal também mudou. Enquanto a maioria das pessoas se descabela enfrentando os shopping centers, ela compra com antecedência.

“Vou comprando ao longo do ano e não deixo nada para dezembro, quando os preços aumentam. Trabalho no Centro e vejo que os preços subirem nesta época. Uma bolsa que custa R$ 300 durante o ano chega a R$ 400 no Natal”, afirma.

Com as contas em dia, este ano sobrou dinheiro para uma viagem em família pelo circuito serrano, passando por Penedo e Campos do Jordão. “Antigamente, a gente quase não conseguia viajar nas férias. Com essa organização que fizemos, cortamos poucos gastos, mas nossa qualidade de vida melhorou”, afirma.

Com o planejamento e a participação de toda a família, também sobrou dinheiro para pagar os impostos tradicionais sem sofrimento. “Vou pagar tudo à vista. Tem um desconto bom, por isso vale a pena”, afirma.

Uso de crédito aumenta em dezembro

Aliado de quem não pode comprar à vista, o cartão de crédito pode se tornar problema quando os parcelamentos saem de controle. Devido aos presentes e festas do fim do ano, janeiro é um mês de faturas pesadas. De acordo com o Banco Central, o volume de dinheiro movimentado no crédito por pessoas físicas no mês de dezembro foi 23% maior que a média do ano, em 2013.

Segundo Waldeli Azevedo, as pessoas costumam contabilizar somente a primeira parcela da compra no orçamento, se esquecendo dos meses subsequentes. “O consumidor tem R$ 1 mil e faz uma compra de R$ 500 e outra de R$ 800 parceladas em duas vezes. Na cabeça dela, ela gastou só, R$ 650, mas na verdade o total foi R$1.300”, exemplifica.

Para Fábio Rhein, o cartão de crédito precisa ser evitado. “Ele deve ser usado de modo pontual. No dia a dia, é melhor lançar mão do débito para consumo”.

Substituições de dívidas dividem as opiniões

A substituição da dívida do cartão de crédito por outra com juros menores divide a opinião de especialistas. Segundo Waldeli Azevedo, a troca deve ser pensada com cuidado. “No caso do consignado, o prazo costuma ser muito longo e, como é descontado na folha, não há como deixar de pagar”. Ela afirma que o ideal é nunca comprometer mais de 20% da renda.

Já para Fábio Rhein, a substituição é interessante. “A melhor ideia é sempre buscar linhas de financiamento com taxas mais baixas, como o consignado”, afirma.

Os quatro vilões de janeiro

Impostos - O ideal é pagar à vista, com desconto. No Rio de Janeiro, os créditos do programa Nota Carioca podem ser usados para abater o valor do IPTU e quem paga em cota única, entre 10 e 11 de fevereiro, tem desconto de 7%. Já o IPVA terá desconto de 8% no pagamento à vista. A cobrança começa dia 22 de janeiro.

Educação - A matrícula e a mensalidade podem ser negociadas com as escolas. Alunos que mudam de estabelecimento de ensino têm como tentar bolsas. Para o material escolar, uma sugestão é comprar fora de época e sempre pesquisar os preços. Outra dica é não levar as crianças para fazer as compras, evitando a pressão para adquirir muitos produtos de marca.

Cartão - Os juros do cartão de crédito estão entre os mais altos do mercado, por isso pagar o valor mínimo da fatura é uma má ideia. A limitação do número de cartões e a redução do limite ajudam no controle dos gastos. Para parcelar, é necessário incluir os valores de todas as parcelas no orçamento dos meses seguintes, evitando que as despesas se acumulem. 

Dólar - O dólar alto tem frustrado as pessoas que vão viajar para o exterior. Na sexta-feira, o dólar turismo fechou a R$ 2,80. A dica para quem vai precisar trocar a moeda é acompanhar a movimentação da cotação e ir na casa de câmbio em um dia de baixa. Outra indicação dos especialistas é comprar em remessas separadas.

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