Preço do barril de óleo cru despenca

Valor mundial na faixa dos US$ 60 ajuda Petrobras fazer caixa

Por O Dia

Rio - Além de prejudicar as finanças dos municípios do Norte Fluminense por conta da diminuição da arrecadação de royalties, como mostrado em reportagem na edição de ontem, a queda do preço do barril de óleo abaixo dos US$ 60 provoca incertezas no mercado mundial. A cotação do petróleo tipo Brent despencou nas últimas semanas, após ficar na faixa dos US$ 100 por três anos.

Porém, apesar de analistas destacarem que a produção do pré-sal possa ficar comprometida — caso chegue aos US$ 45 —, a Petrobras diz que “está aumentando a sua capacidade de produção de petróleo e gás no pré-sal brasileiro de modo economicamente viável.” A companhia informou em nota, no início da semana passada, “que o ‘break even’ (preço mínimo do barril a partir do qual a produção é economicamente viável) planejado no momento em que foram aprovados os projetos de produção do pré-sal, situava-se no entorno de US$ 45 por barril, incluída a tributação e sem considerar os gastos com infraestrutura de escoamento de gás. Ao considerá-los, esse valor pode aumentar entre US$ 5 e US$ 7 por barril.”

“O preço baixo é ruim para quem?”, indaga o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico do Rio, Julio Bueno. Funcionário de carreira da Petrobras e há oito anos à frente da pasta, Bueno diz que nesse momento o preço baixo ajuda a petrolífera a fazer caixa, pois compra o combustível a um custo menor: “Porém, para o Estado do Rio e municípios fluminenses a situação não é boa. O momento continua sendo de cautela.”

A exploração de petróleo em águas profundas brasileiras continua viável, diz a PetrobrasEfe

Já o economista da UFRJ,Mauro Osório, considera que a perspectiva de curto e médio prazos é confortável para a Petrobras, não justificando uma mudança de rumo. Ele lembra que há outros fatores impactando a economia mundial, como a crise na Rússia e o ritmo menor de crescimento na China, na ordem dos 7%.

“Para a Petrobras, nesse momento, a queda do preço é bom. Com o prejuízo que a companhia vem tendo ao longo dos últimos cinco anos, o barril a US$ 60 criará um caixa adicional nos próximos 12 meses. A percepção já se mostra mais favorável, tanto que as ações voltaram a subir nos últimos dias”, explica Osório.

Para ele, a exploração do pré-sal deve ser vista de maneira sistêmica como um desenvolvimento do parque tecnológico do país.


Combater a concorrência

Economista e analista político, Wilson Diniz afirma que o que está em jogo, no sobe e desce do preço do óleo cru, são as relações comerciais entre as nações do Norte e do Oriente Médio, impactando em países como a Rússia, Brasil, Venezuela ou Nigéria.

Analistas internacionais avaliam que a queda do preço do barril do petróleo cria um ambiente de tensões política. Segundo Diniz, as sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e pelos países do Bloco Europeu junto com o aumento da produção de óleo cru da Arábia Saudita, pode destruir a economia russa e a do Irã, com o objetivo de desestabilizar seus sistemas políticos e levar a queda dos governos.

Além disso, os países árabes estão preocupados que outras formas de energia se tornem competitivas — como o xisto nos Estados Unidos ou o pré-sal nas costas marítimas brasileira e africana. Assim, quando os árabes baixam o preço do óleo cru, faz com que os outros produtos, que a um preço de US$ 80, US$ 100 o barril, fossem interessantes, deixem de ser.


Um exemplo, é com a queda de US$ 1 no barril, a Rússia pode perder até US$ 2 bilhões em divisas.

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