Por felipe.martins

Rio - A juíza Roseli Nalin, da 5ª Vara da Fazenda Pública do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, determinou nesta quarta-feira o bloqueio de bens do ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e de sete ex-diretores e funcionários da estatal: Renato Duque, ex-diretor de Engenharia e Serviços; Pedro Barusco, ex-gerente-executivo de Serviços e Engenharia; Sérgio Arantes, ex-gerente de Estimativas de Custos e Prazos; José Carlos Amigo, ex-gerente de Implementação de Empreendimentos para o Centro de Pesquisas (Cenpes); Alexandre da Silva, ex-gerente setorial de Construção e Montagem do Cenpes; Antônio Perrota e Guilherme Neri, responsáveis pela elaboração de orçamentos de contratos.

A juíza, que também quebrou o sigilo bancário dos oito no período de 2005 a 2010, atendeu a pedido do Ministério Público, apresentado em dezembro. Todos são acusados de improbidade administrativa em contratos assinados entre a Petrobras e a empreiteira Andrade Gutierrez. Também são acusados executivos da empresa privada.

Gabrielli divulgou nota em que afirma que não teme investigaçãoHenrique Manreza/Brasil Economico

Sérgio Gabrielli divulgou nota na noite de ontem alegando que não fora informado oficialmente da decisão, divulgada por sites de empresas de comunicação. Ele diz no texto que está tranquilo e que não teme nenhuma investigação de suas contas.

A direção da empreiteira alegou que todos os contratos que firmou com a Petrobras são legais e respeitaram as normas da estatal. A diretoria da estatal não havia se manifestado até às 21h30 de quarta-feira. No pedido de arresto de bens e quebra de sigilo bancário apresentado à Justiça, o Ministério Público informa que investigações confirmaram que houve sobrepreço e superfaturamento em contratos e falta de transparência na escolha da empreiteira Andrade Gutierrez.

SOBREPREÇO COMBINADO

Na justificativa de sua decisão, a juíza cita que a ação do Ministério Público partiu de relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre análise de obras feitas pela empreiteira para a Petrobras no Estado do Rio de Janeiro. Neles, foram constatados superfaturamento de R$ 31,4 milhões em obras e prejuízos para a empresa estatal. Uma das obras analisadas é a de ampliação e modernização do Cenpes.

Os ministros do TCU concluíram que houve má-fé nos contratos firmados entre a direção da Petrobras e da empresa privada, já que, segundo o relatório, “em todas as obras os contratos tiveram valores superiores aos praticados no mercado, além de firmados por preços superiores aos valores orçados pela própria estatal, que, por sua vez, já traziam embutidos os sobrepreços”.

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