Por felipe.martins, felipe.martins
Rio - O uso de documentos fraudados que também podem ter vazados das mãos de atravessadores que abordam segurados em agências do INSS resultou na prisão de um idoso na Baixada Fluminense. Policiais da 59ª DP (Duque de Caxias) prenderam Jair Almagro da Silva, 68 anos, na quarta-feira dentro de um banco no município, na Praça Humaitá, no momento em que ele sacaria um benefício de R$ 744. Segundo a polícia,
Jair faria parte de uma quadrilha especializada em fraudar a Previdência e que envolve várias pessoas na execução do crime, cada uma com tarefa específica. Uma das formas de atuação do bando, segundo os investigadores, começa com um dos componentes que escolhe o nome falso a ser usado, os dados cadastrais, o endereço, a filiação e demais dados do documento que será falsificado.
Segundo a polícia%2C Jair estaria no esquema desde 1997%2C quando o acusado foi preso pela primeira vez Divulgação / Polícia Civil

No passo seguinte, é escolhido quem vai ao banco para sacar o beneficio. Essa mesma pessoa vai ao Correio, com a identidade falsa, e cria um CPF que será usado na fraude. De acordo com os investigadores, há indícios de que servidores do INSS sejam os responsáveis pela inclusão dos dados falsos no sistema da Previdência.

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Ao ser detido, Jair estava com outros sete documentos em que seriam usados para sacar benefícios fraudados também em nome de pessoas que não existem. Quatro recibos bancários no valor total de R$ 3.397 também estavam com ele, que usava identidade, CPF e cartão de crédito no nome de Ricardo Ribeiro.
Ele foi autuado por estelionato e uso de documento falso. Segundo a Polícia Civil, Jair atuaria no esquema desde 1997, ano em que que o acusado foi preso pela primeira vez por estelionato.
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Conforme mostrou na quarta-feira, mesmo com acesso mais fácil a serviços do INSS, segurados são alvos de atravessadores que cobram taxas para auxiliar na liberação de benefícios. Na terça-feira, a coluna Justiça e Cidadania, revelou que duas advogadas foram condenadas pela Justiça por propaganda enganosa ao oferecerem serviços de concessão de benefícios.
COMO SE PROTEGER
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DENÚNCIA
Segurados podem denunciar fraudes por meio dos canais mantidos pela Previdência Social, como a Ouvidoria, que repassa as informações à Força-Tarefa Previdenciária, que investiga os casos. O contato deve ser feito pela Central 135 ou site www.previdencia.gov.br.
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FIQUE ATENTO
O ministério ressalta que os segurados devem ficar atentos. Segundo a Previdência, os dados pessoais dos segurados não são solicitados por e-mail ou telefone. Também não são feitas cobranças por serviços. A principal recomendação para os beneficiários é não usar intermediários para entrar em contato com o INSS. A Previdência também alerta que os dados pessoais não sejam fornecidos a terceiros, tendo em vista que podem ser usados para fins Ilícitos.
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RISCO
Segundo o ministério, “em caso de golpes que gerem prejuízos à Previdência Social, a Assessoria de Pesquisa Estratégica e Gerenciamento de Risco da Previdência (APEGR) encaminha as denúncias para a Polícia Federal e participa das investigações, juntamente com os demais órgãos de controle do governo federal”.
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OCORRÊNCIA POLICIAL
Nos casos de golpes contra os segurados, em que não há prejuízo para a Previdência Social, os cidadãos devem registrar ocorrência na Polícia Civil e fazer o registro na Ouvidoria do ministério.
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ATENDIMENTO
Para o advogado Eurivaldo Neves Bezerra, um dos motivos que levam o beneficiário a procurar um atravessador é a forma como ele é atendido pela Previdência. “Em muitos casos, o trabalhador não é bem atendido pelo servidor. Isso leva a pessoal a buscar ajuda de terceiros. Mas o risco é entregar seus documentos a um desconhecido. Os dados podem acabar nas mãos de falsificadores”, adverte.
PRISÕES
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Entre 2003 e 2014, ações da Força Tarefa Previdenciária resultaram em 1.897 prisões, sendo 391 de servidores. Flagrantes foram 338 casos, com 334 de terceiros e quatro funcionários do INSS.

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