Gilberto Braga: Imagina nas Olimpíadas

A final do Super Bowl deve servir como modelo de negócios para os esportes brasileiros de grande apelo público

Por O Dia

Rio - “No domingo passado, assisti a final do Super Bowl 49, a final da Liga Nacional de Futebol (americano) — NFL, o programa de maior audiência da TV dos Estados Unidos. O New England Patriots, time do ídolo Tom Brady, que é marido da modelo brasileira Gisele Bündchen, venceu o Seattle Seahawks, pelo placar de 28 a 24, num jogo apertado, emocionante e decidido no minuto final, como nos roteiros dos bons filmes.

Essa empreitada esportiva de sucesso mundial deve servir como modelo de negócios para os esportes brasileiros de grande apelo público, como o futebol. O evento é um sucesso comercial. Para se ter uma noção, a partida teve o número de telespectadores estimado em 111 milhões de pessoas. Uma inserção de comercial na TV, com 30 segundos, custa mais de R$ 10 milhões, além de gerar vendas expressivas de produtos licenciados com as marcas das equipes e do evento.

No momento em que nos deparamos com a “especial” (só se pode elogiar, sob pena de multa) organização no Campeonato Carioca de Futebol, envolvido em polêmicas sobre o preço do espetáculo e outras questões, a comparação com o Super Bowl é inevitável. No intervalo da partida nos Estados Unidos, que durou aproximadamente 20 minutos, montou-se um palco com efeitos especiais para a apresentação de um show musical comandado pela eletrizante katy Perry, com as participações de Lenny Kravitz e Missy Elliott. Depois do show, desmontou-se toda a estrutura em pouquíssimos minutos para o recomeço da partida, sem danos à grama ou atrasos.

Imaginando um país hipotético, ao sul da Linha do Equador, seria difícil acreditar que o poder público e as federações esportivas tivessem condições de realizar espetáculo tão empolgante. Primeiro porque não haveria consenso sobre quais artistas deveriam cantar na final; provavelmente fariam uma votação num programa de TV estilo Fantástico. Depois, algum órgão fiscalizador encontraria indícios de desvio de dinheiro público nas obras do estádio e várias empreiteiras contratadas em licitação combinada, seriam denunciadas por formação de cartel.

Na hora da venda dos ingressos haveria confusão, sendo necessária a ação do Ministério Público para interromper tentar moralizar o processo. Algum juiz de plantão daria uma liminar na véspera e liberaria e venda dos ingressos, que iriam acabar nas mãos de cambistas. As competições esportivas no nosso país devem ser tratadas como um espetáculo sério e lucrativo. É imperativo que aprendamos com eventos como o Super Bowl a organizar competições em alto nível. Afinal, as Olimpíadas estão a caminho.

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