Por felipe.martins

RIo - A indústria naval brasileira já demitiu, ou está no processo de demissão voluntária, de cerca de 10 mil metalúrgicos. Deste total, 3.650 são no Rio de Janeiro. A informação é do secretário de Administração e Finanças da Confederação Nacional dos Metalúrgicos, Edson Rocha. Segundo ele, o setor está sofrendo com a crise da Petrobras.

Cerca de 90% dos metalúrgicos são de empresas ligadas a PetrobrasDivulgação

“Em Niterói, a UTC Engenheira (uma das empresas envolvidas no escândalo de corrupção da estatal) já demitiu 650 trabalhadores. A Enseada Indústria Naval (EIN), em Inhaúma, já informou que irá mandar embora 3 mil. Tudo por conta desta paralisia no setor naval com a crise da petrolífera”, diz.

Rocha avalia que a situação é preocupante, já que cerca de 90% do setor depende da Petrobras. “Dos 160 mil funcionários da indústria naval e de navipeças, 140 mil trabalham para empresas que dependem de encomendas da estatal. Há que se ter responsabilidade para não deixar a Petrobras quebrar e gerar demissão em massa”.

INDÚSTRIA AUTOMOTIVA

Em balanço divulgado ontem, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) informou que a indústria automobilística eliminou 404 postos de trabalho em janeiro. Em 2014, foram eliminadas 12,4 mil vagas no setor. Depois das recentes demissões, o setor encerrou o primeiro mês do ano com 144.104 trabalhadores, queda de 0,3% ante dezembro e 8,1% ante janeiro de 2014.

João Carlos Gonçalves, secretário-geral da Força Sindical, afirma que cada metalúrgico da indústria automotiva dispensado gera mais 18 na cadeia produtiva. “As montadoras foram as empresas que mais receberam incentivos do governo federal e é inadmissível que na primeira dificuldade elas optem por demitir. Assim como fizemos com a Volkswagen, a nossa orientação agora é demitiu, parou (greve)”

Esforço para manter vagas

Apesar das demissões, o presidente da Anfavea, Luiz Moan, disse ontem que as montadoras estão se esforçando para manter os empregos. <MC>Segundo ele, </MC>todos os mecanismos utilizados pelas empresas, como férias coletivas, banco de horas, lay-off (suspensão temporária dos contratos de trabalho) e licenças remuneradas visam a proteção do trabalhador.

“O funcionário do setor automotivo é altamente qualificado, portanto, fruto de investimentos. Temos visto uma busca intensa pela manutenção do emprego”, afirmou.

Sobre o desempenho do setor em 2014, o licenciamento de autoveículos teve retração de 7,1% com 3,50 milhões de unidades comercializadas no ano contra 3,77 milhões em 2013. Na comparação mensal com dezembro de 2014, com 370 mil unidades, cresceu 25,6% sobre as 294,7 mil de novembro do mesmo ano.

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