Por felipe.martins

Rio - Com a inflação oficial, o IPCA, atingindo 1,24% em janeiro e 7,14% nos últimos 12 meses, o Carnaval deste ano não será igual ao que passou. A menos de uma semana do começo dos festejos, a baixa atividade econômica do país no ano passado — que deve registrar um PIB (Produto Interno Bruto) inferior a 1% — atingiu até mesmo a venda de camarotes na Marquês de Sapucaí. Também obrigou os blocos de rua a renegociarem seus custos com os fornecedores. Já os foliões precisam ficar mais atentos, pois os preços dos serviços públicos estão mais altos.

Foliões precisam ficar mais atentos%2C pois os preços dos serviços públicos estão mais altoMárcio Mercante / Agência O Dia

“Na verdade o que pode prejudicar um pouco o Carnaval não é tanto a alta dos preços dos produtos neste período, mas, sim, a inflação de bens e serviços, que subiu muito em janeiro deste ano. Os gastos com os serviços públicos afetam diretamente o bolso dos consumidores”, explica Fabio Bentes, que é economista Confederação Nacional do Comércio (CNC).

Segundo o especialista, conforme o IPCA de janeiro, os itens que mais subiram foram os combustíveis, a energia elétrica e dos alimentos. “Esses são pontos insubstituíveis. Então, o consumidor corta no lazer, na viagem, na hospedagem. Assim, o Carnaval fica prejudicado, pois a capacidade de consumo é menor e o folião tem que se preocupar com as contas do período pós festa”, adverte Bentes.

Presidente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, João Eloi Olenike lembra ainda a carga tributária dos produtos mais consumidos neste período pode chegar até 80%, pesando no bolso do folião. Assim, para conter os custos, o isoporzinho mais uma vez vai compor as fantasias de quem vai brincar o Carnaval pelas ruas do Rio.

Presidenta da Sebastiana — Associação Independente dos Blocos de Rua da Zona Sul, Rita Fernandes diz que desde o início do ano avisou aos fornecedores que os preços dos serviços (carro de som, bateria, segurança, entre outros) deveriam se manter os mesmos do ano passado. “Com o aumento do número de blocos, cresce a demanda pelos serviços e encarece o Carnaval. Mas creio que chegou no teto, a capacidade financeira dos blocos não é grande”, afirma Rita.

Professor de Economia do Ibmec-Rio, Gilberto Braga destaca ainda que o custo da mão de obra de quem atua no ramo de serviços foi um dos que mais cresceu em 2014, impactando na elevação dos preços da folia. Assim, segundo ele, muitas empresas fugiram do Carnaval, cortando os custos das campanhas de marketing ou publicitárias e investindo mais em ações perenes.

A retração da economia criou uma situação inusitada na Marques de Sapucaí — a sobra de camarotes. Com a desistência de empresas do porte da Coca-Cola, Unimed, Souza Cruz e Porcão sobraram espaços para vender. “Em cinco anos, é a primeira vez que ainda temos camarote a venda. É um fato inédito”, conta Heron Schneider, coordenador-geral de vendas da Liesa há 25 anos.

Segundo ele, a chegada de agências — que vendem ingressos de camarotes com toda a mordomia — supriu a saída das empresas. “Quem não gosta de conforto? Esse é um novo modelo para o uso dos camarotes”, diz Schneider.

450 ANOS

Mote do camarote da BOA, exaltando o aniversário da Cidade do Rio e os 130 anos da cerveja Antarctica, que em 2015 ocupa o espaço da Brahma. Passarão pelo local 1.500 convidados por noite.

3 MIL

Tamanho em metros quadrados do camarote do Supermercado Guanabara, que terá mil convidados por noite, entre executivos, fornecedores e parceiros. Espaço terá 16 artistas fazendo apresentações.

R$ 2.499

Valor do ingresso por pessoa por uma noite no camarote Folia Tropical, que vai para o terceiro Carnaval na Sapucaí. O ingresso dá direito a comida, shows musicais no intervalo dos desfiles e espaço de descanso.

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