Mercado prevê crescimento zero e inflação alta em 2015

Pela primeira vez, instituições financeiras estimam expansão nula para o PIB. Já expectativa para a inflação é que encerre o ano bem acima da meta de 6,5%

Por O Dia

Rio - A economia do país não vai crescer este ano, na visão do mercado financeiro. Pela primeira vez no Relatório Focus, a projeção para a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) de 2015 ficou em 0%. O cenário para a inflação também não é otimista. A mediana das previsões para o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deste ano subiu de 7,01% para 7,15%, ficando acima do teto da meta, de 6,5%.

Com o dólar em alta, este será um período difícil para os brasileiros, que vão sentir o poder de compra menor. A esperança é que a economia volte a crescer em 2016, devolvendo a estabilidade. Divulgado nesta suegunda-feira pelo Banco Central, o boletim Focus revisou para baixo pela sexta vez seguida as estimativas de crescimento do PIB — soma das riquezas do país. Há quatro semanas, a aposta era de uma alta de 0,40% para este ano. As previsões de alta para 2016, contudo, foram mantidas em 1,5%.

Inflação em alta reduz o poder de compra do consumidor%2C gerando impacto negativo na economiaDaniel Castelo Branco / Agência O Dia

Professora de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV), Virene Matesco explica que diversos fatores influenciaram nesse resultado. “Para que o Brasil cresça é preciso que o mundo esteja crescendo, pois as exportações impulsionam a economia. Mas temos lá fora um desempenho moderado. A China, por exemplo, que crescia cerca de 12%, hoje cresce 7%. Além disso, tem a queda no preço das commodities, que diminui o valor das exportações, e o câmbio não favorável”, pontua ela.

Há ainda os fatores internos, como a redução no consumo das famílias. “A inadimplência cresceu muito e com a inflação em alta, o poder de compra diminui. Isso faz com que as empresas vendam menos e assim invistam menos. Tem também um fator implícito: quando o cenário é ruim as pessoas ficam receosas e param de consumir” explica Virene.

Para Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec/RJ, este ano vai ser um período de aperto. “Será necessária uma mudança de hábitos para cortar excessos. Em algum momento do ano que vem, se o plano do governo der certo, a situação vai melhorar”, avalia.

Dólar entre R$ 2,80 e R$ 3 este ano

A estimativa para o dólar em 2015, segundo o Focus, ficou congelada em R$ 2,80 pela sexta semana seguida. Já para 2016, a expectativa para a moeda norte-americana segue estável em R$ 2,90. Nesta segunda, o dólar fechou praticamente estável, em queda de 0,03%, a R$ 2,77, após atingir o maior nível em 10 anos. Na máxima da sessão, a divisa alcançou R$ 2,79.

O Ibovespa subiu 1,21%, a 49.382 pontos, em meio à recuperação das ações da Petrobras e forte avanço da Vale. As ações preferenciais da Petrobras fecharam em alta de 1,75% (R$ 9,28) e as ordinárias subiram 1,88% (R$ 9,20).

Para o economista Gilberto Braga, é possível que a moeda chegue a R$ 3 até o fim do ano. “O dólar em alta aumenta o custo das empresas. Por outro lado, favorece o setor exportador. Mas de um modo geral, é ruim para a economia do país”, explica o professor.

Momento de evitar dívidas e revisar as despesas

No Focus, analistas projetam que a taxa básica de juros terminará o ano em 12,5% pela nona semana consecutiva. A Selic média para este ano, no entanto, passou de 12,47% para 12,63%. Gilberto Braga acredita que a taxa pode chegar a 13% até o fim do ano. 

“Para quem tem dinheiro aplicado é bom porque aumenta a rentabilidade, mas para quem está endividado a vida fica mais difícil. A dica é tentar renegociar e parcelar”, afirma. Já com a inflação ultrapassando o teto da meta, hoje em 7,14%, o economista aconselha rever os gastos. Segundo ele, o aumento de renda da população não se reflete em aumento de consumo. “Já foi corroído pela inflação”, explica Braga.

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