Por bferreira
Publicado 18/02/2015 00:19 | Atualizado 18/02/2015 02:36

Rio - Um grupo internacional de hackers roubou um valor estimado de U$S 1 bilhão (R$2,84 bilhões) de bancos nos últimos dois anos, em ataques que ainda estão em andamento. A informação consta em um relatório da empresa de segurança digital russa Kaspersky Lab, publicado nesta semana. As investigações contaram com membros da Interpol, organização de cooperação entre diferentes polícias do mundo, e da Europol, o serviço de polícia da União Europeia.

De acordo com o informe, uma organização de hackers provenientes principalmente da Rússia, China e Ucrânia, denominada Carbanak, invadiu o sistema de cerca de 100 bancos em mais de 30 países, entre eles o Brasil. O relatório não especifica o nome das instituições atacadas, mas o maior número de vítimas se encontra na Rússia (178 bancos), seguido dos Estados Unidos (37) e Alemanha (22), mas também há casos na Ásia, África e América Latina.

A quadrilha utiliza um método que permite roubar dinheiro direto dos bancos, sem atingir as contas individuais de correntistas. Por meio de um vírus que atinge a rede das instituições, é possível monitorar as telas de funcionários e descobrir vulnerabilidades das instituições. Os computadores são infectados por meio de e-mails falsos, que parecem ter sido enviados por empresas ou pessoas conhecidas.
De acordo com a Kaspersky, cada ataque demora entre dois e quatro meses para ser viabilizado.

“Uma vez que os hackers conseguem entrar na rede, eles aprendem a esconder operações maliciosas atrás de ações legítimas. É um roubo muito sofisticado e profissional”, afirma Sergey Golovanov, pesquisador de segurança da Kaspersky. A empresa estima que cada empresa que foi vítima do esquema teve prejuízos entre U$S 2,5 milhões (R$ 7 milhões) a U$S 10 milhões (R$28,4 milhões).

Segundo o relatório, nos últimos dois anos os ladrões usaram três métodos diferentes para ter acesso ao dinheiro. O primeiro consiste em acessar sistemas de pagamento online e transferir diretamente o dinheiro dos bancos para as contas de membros da quadrilha.

Outra estratégia é alterar o saldo de contas de correntistas dos bancos, sacando a valores sem que os clientes percebam a diferença. Uma conta com saldo US$ 1 mil (R$2.840), por exemplo, é alterada para o valor de US$ 10 mil (R$ 28.400), de forma que os criminosos transferem US$ 9 mil (R$ 25.000) para suas contas sem que o cliente perceba a fraude. Um terceiro método consiste em programar caixas automáticos para dispensar certa quantidade de dinheiro em horários pré-programados. Um integrante da gangue vai ao banco no horário combinado e saca o dinheiro.

A Kaspersky Lab recomenda que as instituições façam buscas em suas redes por vírus da Carbanak e, se detectarem algo, reportem às autoridades legais.

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