Por bferreira

Rio - A investigação francesa sobre possíveis fraudes na filial suíça do banco HSBC terminou nesta semana e o país pode ser o primeiro a julgar a instituição. O banco também é alvo de autoridades britânicas e dos Estados Unidos, depois de ser acusado de ajudar clientes a sonegar impostos de 1988 a 2007.

A suposta fraude envolve cerca de três mil correntistas franceses, entre eles Arlette Ricci, de 73 anos. A herdeira da marca de perfumes Nina Ricci é acusada de esconder U$S 22 milhões (R$62 milhões) do fisco francês em uma conta na filial suíça do HSBC.

As acusações contra ela, que envolvem os crimes de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, podem terminar em cinco anos de prisão e multa. Na França, a investigação começou em novembro de 2014. Os promotores têm três meses para entrar com ação contra o banco.

No domingo, o HSBC se desculpou publicamente em anúncios divulgados em jornais ingleses. Em uma carta aberta a funcionários e clientes, o diretor-executivo da instituição, Stuart Gulliver, se retratou. “Temos que compreender que a sociedade à qual servimos espera mais de nós, Por isso, pedimos nossas mais sinceras desculpas”, afirma o executivo. Ele também diz que a divulgação do escândalo na imprensa tem sido uma experiência “dolorosa”.

Gulliver diz que a mídia deve colocar as informações em contexto, lembrando que o escândalo se refere a dados que remontam há mais de oito anos. O escândalo foi revelado em uma investigação conhecida como Swissleaks, em que um grupo de jornalistas de vários países descobriu que a filial suíça do banco inglês ajudava clientes a driblar os impostos em seus países. A investigação foi baseada em documentos entregues por um ex-funcionário do banco, Hervé Falciani, a autoridades francesas.

Entre os brasileiros com conta no banco, constavam 11 nomes ligados à Operação Lava Jato — que investiga atos de corrupção dentro da Petrobras. Um deles é o ex-gerente de Serviços da Petrobras, Pedro Barusco, que está colaborando com as autoridades por meio de um acordo de delação premiada.

Na semana passada, a Receita Federal informou que teve acesso à lista de correntistas brasileiros citados no Swissleaks e investiga suas movimentações financeiras.

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