Por bferreira

Rio - Um grupo internacional de hackers roubou um valor estimado de U$S 1 bilhão (R$2,84 bilhões) de bancos nos últimos dois anos, em ataques que ainda estão em andamento. A informação consta em um relatório da empresa de segurança digital russa Kaspersky Lab, publicad<CW15>o nesta semana. As investigações contaram com membros da Interpol, organização de cooperação entre diferentes polícias do mundo, e da Europol, o serviço de polícia da União Europeia.

De acordo com o informe, uma organização de hackers provenientes principalmente da Rússia, China e Ucrânia, denominada Carbanak, invadiu o sistema de cerca de 100 bancos em mais de 30 países, entre eles o Brasil. O relatório não especifica o nome das instituições atacadas, mas o maior número de vítimas se encontra na Rússia (178 bancos), seguido dos Estados Unidos (37) e Alemanha (22), mas também há casos na Ásia, África e América Latina.

A quadrilha utiliza um método que permite roubar dinheiro direto dos bancos, sem atingir as contas individuais de correntistas. Por meio de um vírus que atinge a rede das instituições, é possível monitorar as telas de funcionários e descobrir vulnerabilidades das instituições. Os computadores são infectados por meio de e-mails falsos, que parecem ter sido enviados por empresas ou pessoas conhecidas.
De acordo com a Kaspersky, cada ataque demora entre dois e quatro meses para ser viabilizado.

“Uma vez que os hackers conseguem entrar na rede, eles aprendem a esconder operações maliciosas atrás de ações legítimas. É um roubo muito sofisticado e profissional”, afirma Sergey Golovanov, pesquisador de segurança da Kaspersky. A empresa estima que cada empresa que foi vítima do esquema teve prejuízos entre U$S 2,5 milhões (R$ 7 milhões) a U$S 10 milhões (R$28,4 milhões).

Segundo o relatório, nos últimos dois anos os ladrões usaram três métodos diferentes para ter acesso ao dinheiro. O primeiro consiste em acessar sistemas de pagamento online e transferir diretamente o dinheiro dos bancos para as contas de membros da quadrilha.

Outra estratégia é alterar o saldo de contas de correntistas dos bancos, sacando a valores sem que os clientes percebam a diferença. Uma conta com saldo US$ 1 mil (R$2.840), por exemplo, é alterada para o valor de US$ 10 mil (R$ 28.400), de forma que os criminosos transferem US$ 9 mil (R$ 25.000) para suas contas sem que o cliente perceba a fraude. Um terceiro método consiste em programar caixas automáticos para dispensar certa quantidade de dinheiro em horários pré-programados. Um integrante da gangue vai ao banco no horário combinado e saca o dinheiro.

A Kaspersky Lab recomenda que as instituições façam buscas em suas redes por vírus da Carbanak e, se detectarem algo, reportem às autoridades legais.

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