Por bferreira

Rio - Pelas redes sociais, alguns leitores perguntam sobre o boato que começou a circular semana passada e continuou durante o feriado de Carnaval, de que o governo federal prepara novo confisco da caderneta de poupança e das aplicações financeiras. Calma aí, gente, não há nenhum fundo de verdade nisso. O próprio governo mandou os ministros desmentirem a boataria.

Muita gente ainda tem triste memória do Plano Collor, que, em 1990, com a ministra Zélia Cardoso de Mello à frente da pasta da Fazenda, promoveu o congelamento da poupança e dos investimentos do povo. Como se diz por aí que gato escaldado tem medo de água fria, muita gente desconfia que o governo Dilma não fala a verdade, que o desmentido é firula e que o confisco está a caminho, como parte das novas medidas de ajuste da economia.

No começo do Governo Collor vivíamos à beira da hiperinflação. O plano econômico da época tinha como eixo desindexar a economia e enxugar o dinheiro em circulação para debelar a chamada inflação inercial.

Na prática, queria acabar com a remarcação contínua e automática dos preços e contratos. Chegou a ter algum sucesso no início, mas depois não conseguiu fazer a transição para liberar a economia e retomar o crescimento e o plano fracassou.

O começo do segundo mandato de Dilma Rousseff não é um mar de rosas na economia, mas a situação não é tão ruim a ponto de ser comparada à da gravíssima Era Collor, que desembocou no confisco do dinheiro.

Até hoje parte do povão ficou traumatizada. Só que uma medida drástica como essa teria efeito contrário, inviabilizando politicamente de vez o segundo mandato de Dilma, esculhambando ainda mais a economia e alimentando campanhas como as que pregam o impeachment da presidenta da República.

Trocando em miúdos, ainda que em política não se possa pôr a mão no fogo por ninguém, é razoável admitir que o governo federal não vai confiscar a caderneta de poupança ou a aplicação financeira de ninguém. Alguns podem até construir teorias malucas que justifiquem a medida, mas as condições econômicas atuais são bem diferentes daquelas da época de Collor e atualmente o governo não teria força política para fazer vingar uma maldade desse tamanho.

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