Por bferreira

Rio - Pela primeira vez em 2015, economistas projetam que o Brasil fechará o ano em recessão. Ontem, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, também admitiu que o país passou por retração no ano passado. Na pesquisa semanal Focus, feita pelo Banco Central, especialistas de instituições financeiras acreditam que o Produto Interno Bruto (PIB) — conjunto de riquezas produzidas pelo país — registrará queda de 0,42% até dezembro. Na semana anterior, a estimativa era de estagnação.

Em palestra a investidores norte-americanos, Levy prometeu superávitWilson Dias / Parceiro / Agência Brasil

Na pesquisa, chama a atenção o pessimismo com o desempenho da indústria. No levantamento anterior, os economistas consultados pela autoridade monetária apostavam em um crescimento de 0,44% do setor. Nesta semana, o índice mudou para retração de 0,43%.

Os especialistas também alteraram as estimativas para a inflação e para o câmbio. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que mede a inflação oficial, deve fechar o ano em 7,27%. Na semana passada, a perspectiva era 7,15%.

As previsões estão altas principalmente devido aos aumentos de tarifas controladas pelo governo. “Temos uma conta passada de preços administrados que ficaram represados. A liberação desses valores gera muita inflação”, afirma Henrique Florentino, analista da corretora Um Investimentos, lembrando que a conta da energia pode subir ainda mais este ano.

Outro fator que interfere na inflação é o câmbio, que também teve suas previsões alteradas na Focus. A expectativa é de que o dólar encerre 2015 cotado a R$ 2,90, ante previsão anterior de R$ 2,80.

Para conter um aumento ainda maior de preços, os analistas apostam em uma nova subida da Selic. Nesta semana, a pesquisa estima que a taxa básica de juros feche a 12,75% ao ano. Atualmente, o índice está em 12,25% ao ano.

Levy reafirma compromisso com superávit

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reafirmou ontem seu compromisso em fechar o ano com superávit primário de 1,2% do PIB.

Em uma palestra para investidores em Nova York, o ministro admitiu que o país pode ter passado por uma retração em 2014. Ele disse que conta com o apoio do Congresso para conseguir conduzir o ajuste fiscal idealizado pelo Executivo.

À plateia, Levy afirmou ainda que o governo não pretende criar novos impostos e tem a intenção de simplificar a cobrança de PIS e Cofins. “Nós não vamos reduzir receitas, mas vamos tornar mais fácil a vida das empresas”, garantiu.

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