A volta por cima depois do incêndio no Nova América

Shopping reabre com movimento apenas 8% abaixo do registrado antes do fogo

Por O Dia

Rio - Nem o cheiro de fumaça afastou os frequentadores do shopping Nova América, na Zona Norte do Rio. Depois de três dias fechado por conta de um incêndio que afetou 20% do centro comercial na última segunda-feira, o local reabriu na quinta com movimento apenas 8% menor que na semana anterior ao acidente. “Para nós é grande vitória”, comemorou o superintendente Carlos Martins. Segundo ele, ainda hoje novo espaço deve ser liberado para os consumidores.

Fogo atingiu o shopping na segunda-feira de Carnaval e custou a ser controladoAlexandre Vieira / Agência O Dia

Atualmente, mais de 220 lojas estão funcionando normalmente, o que representa 80% do total, além das duas praças de alimentação. A Rua do Rio, com restaurantes ao ar livre, está com parte dos estabelecimentos fechados. Foram reabertas lojas de departamento como C&A, Riachuelo, Leader, Renner, Ponto Frio, Casas Bahia, Ri Happy e Kalunga.

Mas outras de grande porte como Casa&Vídeo, Lojas Americanas e Centauro permanecem interditadas. Uma agência do banco Itaú também está na área atingida pelo fogo e permanece sem abrir. Ao todo, 80 lojas deixaram de funcionar.

“Estamos muito animados. Boa parte das lojas na área isolada está com poucos problemas de estrutura. Amanhã (hoje) podemos ter novas lojas liberadas para funcionamento”, afirmou o superintendente do shopping, Carlos Martins.

Gerente do quiosque Mr. América, próximo a uma das áreas atingidas pelo fogo, Richard Koppke contou que valeu a pena reabrir na quinta-feira. “Os clientes estão vindo e o shopping tem conseguido passar por cima das dificuldades. O cheiro de fumaça ainda é muito forte, mas espero que amenize em alguns dias”, disse ele.

A Universidade Estácio também teve uma das suas unidades atingidas. Em nota, o presidente da instituição, Rogério Melzi, lamentou os estragos, mas demonstrou otimismo. “O que sabemos é que o fogo se iniciou em uma loja próxima ao campus e se alastrou rapidamente. Aproximadamente 40 salas de aula foram bastante danificadas, assim como áreas de acesso. Todo o nosso time de operações e os colegas das áreas de suporte estão a postos desde a última segunda-feira, pensando em como fazer para dar sequência à nossa vida normal e garantir o início das aulas e o cumprimento do nosso programa completo para todos os alunos que terão as suas vidas acadêmicas impactadas pela situação”, explicou Melzi.
Um dos maiores problemas, neste momento, é a falta de informações sobre o estado das lojas que estão na área isolada. Proprietária da Fry’s Burgers, Silze Oliviere conta que ainda não conseguiu avaliar o prejuízo.

“Aparentemente, o problema foi só de alagamento, mas a parede desabou em cima da loja. Temos equipamentos que não sabemos se foram prejudicados e, além disso, há o estoque, que é perecível. O shopping criou grupo com os 11 lojistas mais afetados e estamos entre eles. A partir da semana que vem vão avaliar como está a situação. Por enquanto, não temos previsão de reabrir”,diz.

Renata Cunha, proprietária da Myth, não conseguiu chegar à loja para conferir a dimensão dos danos. “Só sei que estava alagada”, disse.

ACESSO

O acesso ao shopping pelo metrô está funcionando normalmente, bem como a entrada pela Avenida Martin Luther King e estacionamentos. O único acesso fechado, por enquanto, é o pela Linha Amarela.

LOJAS

Entre as lojas reabertas estão C&A, Riachuelo, Leader, Renner, Ponto Frio, Casas Bahia, Ri Happy e Kalunga. As duas praças de alimentação estão completas e abertas normalmente. A Rua do Rio, complexo de entretenimento e restaurantes ao ar livre, funciona apenas parcialmente. Ainda estão fechadas as Lojas Americanas, Casa&Vídeo, Starbucks, Centauro e Banco Itaú.

FUNCIONAMENTO
Lojas estão funcionando em horário normal: 10h às 22h de segunda a sábado e das 13h às 21h no domingo.

Funcionários reclamam do cheiro

Na quinta-feira, quando o shopping reabriu, o cheiro de fumaça era forte. Segundo funcionários de quiosques próximos às áreas interditadas, gerentes pediram para fechar as unidades, mas a administração não teria permitido.

Em nota, o Nova América informou que “possui laudo de monóxido de carbono de empresa especializada atestando que a qualidade do ar não coloca em risco a saúde de colaboradores, lojistas e clientes”. Além disso, segundo o superintendente, foram colocados ventiladores extras para ajudar na circulação de ar.

Com relação à construção, Martins garantiu que o prédio original será mantido. O shopping foi construído no mesmo local onde antes existia fábrica de tecidos com o mesmo nome.

Crédito para quem foi afetado

A Agência Estadual de Fomento (AgeRio), em parceria com a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, vai oferecer uma linha de crédito simplificado para os comerciantes prejudicados com o incêndio. No esforço coletivo conduzido pela Prefeitura do Rio e governo do estado na quinta e sexta-feira foram feitos 73 atendimentos. Por meio de nota oficial, a AgeRio informou que ainda estão sendo avaliadas as condições e os limites para o crédito, conforme as necessidades dos lojistas.

Proprietária da Fry’s Burger, Silze Oliviere conta que por enquanto os agentes de financiamento ainda estão escutando os lojistas para saber qual tipo de crédito é mais adequado. “O grande problema são os custos fixos que a gente já tinha assumido, como folha de pagamento e estoque. São compromissos que estão acontecendo. E as linhas de crédito seriam importantes para sustentar esse período enquanto a loja está fechada”, explica a empresária.

Amanhã, das 10h às 18h, as equipes de negócios de AgeRio darão assistência financeira aos lojistas que foram prejudicados pelo acidente. Interessados deverão comparecer ao centro administrativo do Nova América. Até terça-feira, o SindilojasRio também terá um estande no shopping com assistência nas áreas jurídica, trabalhista, civil e tributária.

Outra preocupação é com relação à cobrança do aluguel de quem foi atingido pelo incêndio. Em nota, o shopping informou que ainda não tem posição sobre essa questão. “Estamos no momento priorizando a segurança e bem-estar de clientes, lojistas e colaboradores. As medidas referentes ao aluguel serão definidas apenas após a conclusão dos trabalhos nas áreas afetadas”.

CAUSA DO ACIDENTE VAI DEFINIR QUEM PAGA A CONTA

Enquanto as causas do incêndio ainda são desconhecidas, a pergunta que não quer calar é: quem vai pagar a conta dos estragos provocados pelo fogo? Segundo o superintendente Carlos Martins, o laudo da perícia deve sair amanhã e só a partir de então será possível responsabilizar alguém.

“Essa é uma ansiedade normal do momento, mas como não tem causa, não tem causador. E isso é importante para ver quem vai pagar”, explica.

Presidente do Instituto Brasileiro de Direito do Seguro, Ernesto Tzirulnik afirma que a questão é complexa. “É muito importante conhecer os contratos entre os lojistas e o shopping. Se o incêndio aconteceu na área comum, indiscutivelmente a responsabilidade é do estabelecimento e seu seguro vai funcionar em favor de todos. Via de regra, os lojistas contratam seguros para aquilo que é de responsabilidade deles, como mercadorias. Eventualmente, a cobertura vale para responsabilidade civil também, ou seja, danos provocados a terceiros. Mas o valor não é muito representativo e se a culpa foi do lojista, ele teria que arcar com as despesas por conta própria”, afirma o advogado.

Tzirulnik também esclarece que o incêndio causou, além de danos patrimoniais e materiais, lucros cessantes, isto é, perda da receita enquanto a loja está fechada. “Cada lojista deve avisar sua seguradora de imediato. Mesmo aqueles que não foram atingidos têm lucro cessante, pois o movimento do centro comercial diminui. Eles também podem acionar o seguro”, diz.

Segundo o especialista, mesmo que os comerciantes e o shopping queiram entrar em acordo para que cada um pague sua parte, é provável que os seguros não aceitem. “A seguradora vai querer saber quem é o responsável”, conta Tzirulnik.

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