Dólar sobe e chega a R$ 3,05 após dados de emprego nos EUA

No Brasil, preocupações sobre o futuro do plano de ajuste das contas públicas têm elevado as cotações da moeda norte-americana nas últimas semanas

Por O Dia

São Paulo - O dólar subia mais de 1% ante o real pela quinta sessão seguida nesta sexta-feira, após o mercado de trabalho dos Estados Unidos criar mais vagas do que o esperado em fevereiro, reforçando as apostas de que os juros devem começar a subir em breve na maior economia do mundo. Às 12h05, a moeda norte-americana subia 1,51%, a R$ 3,0595 na venda, perto da máxima, tendo atingido R$ 2,9832 na mínima da sessão. Na véspera, a divisa fechou acima de R$ 3 pela primeira vez desde agosto de 2004.

Segundo dados da BM&F, o giro financeiro estava em torno de US$ 480 milhões de dólares. A economia norte-americana abriu 295 mil postos de trabalho em fevereiro, acima da projeção de economistas consultados em pesquisa da Reuters, que previam 240 mil. O resultado deu fôlego às expectativas de que o aperto monetário nos EUA terá início em meados do ano, o que poderia atrair para o país recursos aplicados em outros mercados.

Na véspera, a divisa fechou acima de R$ 3 pela primeira vez desde agosto de 2004Reuters

A divisa norte-americana se fortalecia ante as principais moedas globais, atingindo a máxima em 11 anos e meio contra uma cesta de divisas e o maior nível desde 2003 em relação ao euro.

"Toda a região (América Latina) está sofrendo, mas o real é especialmente vulnerável, em função dos problemas fiscais", disse o economista da 4Cast Pedro Tuesta.

No Brasil, preocupações sobre o futuro do plano de ajuste das contas públicas têm elevado as cotações do dólar nas últimas semanas. Alguns investidores têm evitado ativos brasileiros, temendo que o governo não seja capaz de resgatar a credibilidade da política fiscal.

A disparada da moeda norte-americana levava muitos operadores a especular que o BC poderia elevar a oferta de swaps cambiais de forma a rolar integralmente o lote que vence em abril. Essa expectativa contribuiu para manter o dólar em baixa pela manhã.

Se mantiver até o penúltimo pregão do mês o ritmo atual de rolagem de swaps, com a oferta de 7,4 mil contratos por dia, a autoridade monetária rolará perto de 80% do lote de abril, que equivale a US$ 9,964 bilhões. Com a venda integral no leilão desta sessão, a autoridade monetária já rolou cerca de 18% desse montante.

"É uma pulga atrás da orelha. O mercado começa a se perguntar se pode vir mais swap", resumiu o operador de câmbio da corretora Intercam, Glauber Romano.

Operadores também têm dúvidas sobre a continuidade do programa de intervenções diárias no câmbio, marcado para durar até pelo menos o fim deste mês. Mais cedo, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou que a recente depreciação cambial "corrige" em parte a apreciação que aconteceu nos últimos anos e não mostra descontrole cambial.

Nesta manhã, a autoridade monetária vendeu a oferta total de até 2 mil swaps pelas rações diárias, divididos igualmente entre os vencimentos em 1º de dezembro de 2015 e 1º de fevereiro de 2016, com volume correspondente a US$ 98,1 milhões.

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