Idosos ganhavam R$ 50 para fraudar o INSS no Rio

Operação da Força-Tarefa Previdenciária desarticulou quadrilha que, em dois anos, teria desviado cerca de R$ 7 milhões. Três servidores foram afastados

Por O Dia

Rio - A Polícia Federal (PF) desarticulou ontem uma quadrilha que pagava R$ 50 para idosos sacarem benefícios fraudulentos do INSS em agências do Rio. Segundo a PF, o prejuízo mensal era de R$ 200 mil envolvendo o pagamento de cerca de 350 benefícios. Em apenas dois anos, o grupo teria desviado cerca de R$ 7 milhões.

Além de servidores, advogados e despachantes, cada um dos idosos recrutados — cerca de oito — usava o documentos falso de mais de um segurado por mês. “A mesma pessoa ia nas agências com mais de 10 identidades e documentos diferentes e a mesma foto em todos eles”, contou o delegado da Polícia Federal Paulo Teles.

O grupo atuava, primeiro, na agência do INSS de Santa Cruz, na Zona Oeste. Após o fechamento desta, a quadrilha passou a atuar na agência da Tijuca, na Zona Norte. Em cinco anos de atividade, a quadrilha teria falsificado cerca de mil documentos. Numa primeira etapa, os funcionários do instituto envolvidos concediam benefícios fictícios de aposentadoria aumentando artificialmente o tempo de contribuição do segurado, ou gerando benefícios BPC/LOAS (Benefício Assistencial ao Idoso) irregulares para pessoas que não faziam jus ao mesmo. Algumas vezes, o LOAS era concedido a pessoas inexistentes usando-se documentação falsa.

Um segundo grupo era responsável pelos saques dos benefícios previdenciários irregulares. Os idosos se faziam passar pelos verdadeiros beneficiários para fazer o saque nas instituições financeiras. Eles eram tratados pela alcunha de “boneco”, nome da operação executada ontem pela Força-Tarefa Previdenciária do Rio, composta por agentes da PF, do Ministério da Previdência Social e do Ministério Público Federal (MPF).

O grupo cumpriu dois mandados de prisão preventiva, 26 de busca e apreensão e afastou três servidores do INSS. Todos os 22 investigados no esquema já foram denunciados pelo MPF. Desde o ano de 2000, a força- tarefa já identificou R$ 4,7 bilhões de perdas em fraudes.

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