Por bferreira

Rio - A rentabilidade da poupança continua perdendo da inflação e aponta cada vez mais para a necessidade de investimento em outras aplicações. Em março, a caderneta rendeu 0,63%, segundo a consultoria Economatica, enquanto o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou variação de 1,32%. Cálculo da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) estima que as perdas no primeiro trimestre de 2015 para quem tem o dinheiro guardado na poupança sejam de 2,07% frente aos aumentos de preços nesse período.

Entre as opções para diversificar os investimentos estão os fundos de renda fixa, Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Letra de Crédito do Agronegócio (LCA), Certificado de Depósito Bancário (CDB) e Tesouro. Mas os nomes pouco carismáticos ainda assustam a maior parte dos consumidores.

É o caso de Tatiana Pereira, 44 anos, que trabalha como gerente em um salão de beleza na Lapa. “A poupança rende muito pouco, mas não tenho experiência com aplicações financeiras, então prefiro não arriscar”, explica.

O comerciante Carlos Benedetto, 53, também é receoso. “Ninguém gosta de perder dinheiro, mas não vou me precipitar. Vou manter o dinheiro na poupança”, diz.

Porém, para Mauro Calil, especialista em investimentos do Banco Ourinvest e fundador da Academia do Dinheiro, experimentar novas formas de investir é importante. “A poupança deixou de ser um bom investimento há muito tempo. Para o pequeno poupador, que movimenta muito a conta, os fundos de renda fixa são boas opções. É possível buscar essas aplicações na própria agência bancária e em corretoras. Mas o mais indicado é procurar um banco de investimentos”, aconselha.

Fundos de renda fixa são opção para quem não quer ter o dinheiro preso

Para o comerciante Carlos Benedetto, a vantagem da poupança é a facilidade de sacar o dinheiro. “Dessa forma, se surge alguma emergência, eu não fico limitado”, conta.

De acordo com Mauro Calil, da Academia do Dinheiro, os fundos de renda fixa são uma boa opção para quem também pensa dessa forma, pois têm liquidez diária, ou seja, a pessoa pode entrar e sair quando quiser. “Como paga imposto de renda, o fundo tem que render no mínimo 0,8% ao mês para valer a pena e cobrar no máximo 1% ao ano de taxa de administração. O rendimento é diário. Esta é mais uma vantagem sobre a poupança, que rende mensalmente”, explica.

No caso das letras de Crédito Imobiliário (LCI) e de Crédito do Agronegócio (LCA), o investidor se compromete com um período, que pode ser de um mês ou um ano, por exemplo. A rentabilidade chega a 1,1% ao mês e não é cobrado imposto de renda. “Quanto maior o prazo, maior a rentabilidade”, esclarece Calil. Porém, as emissões são para aplicações acima de R$ 10 mil.

O Certificado de Depósito Bancário (CDB) é mais flexível, mas há pagamento de imposto de renda. A rentabilidade varia, em média, de 0,9% a 1,15%.

No caso do Tesouro, a vantagem é que não é necessário procurar uma corretora, a própria pessoa pode fazer a aplicação por meio do site. Os títulos são pré-fixados (o investidor sabe desde o início quanto vai ganhar) e pós-fixados (tem rendimento variável, com base em um percentual, mais o IPCA). Atualmente, esse tipo de investimento também tem liquidez diária.

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