Por bferreira

Rio - Com o aperto financeiro em todas as esferas de governo e, principalmente, o contingenciamento de parte do Orçamento da União, a indústria bélica nacional está de prontidão neste começo de ano. É nesse cenário que ocorre de terça a sexta-feira a LAAD Defence & Security, principal feira do setor na América Latina. O evento reúne as grande empresas armamentista do país e do mundo. Em sua 10ª edição, apresenta as novas tecnologias, equipamentos e serviços para o setor de defesa e segurança.

Para compensar a leve queda nas transações no segundo semestre de 2014 — muito por conta das eleições que travaram os processos de compra de diversos órgãos governamentais —, a indústria do setor aposta no mercado de armamento não letal e de vigilância. O impacto no ano passado foi percebido no resultado do projeto setorial Brasil Defense — promovido pela Apex-Brasil em parceria com a Associação Brasileiras das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) — que representa 70% das vendas externas do setor, e também de toda a cadeia produtiva.

Infográfico: As armas do Brasil

Por isso, o resultado registrado em 2014, de US$3,9 bilhões em exportações, foi 5% inferior a 2013, quando foram exportados US$ 4,13 bilhões e também inferior a 2012, quando as empresas do projeto venderam US$4,06 bilhões. As transações no exterior, no entanto, podem ser promissoras para a indústria em 2015.

Apenas nos dois primeiros meses deste ano, o volume de vendas foi 40% superior ao mesmo período de 2014. “Isso nos permite antecipar uma tendência de que este ano supere os anos anteriores e mantenha a curva de crescimento nas exportações brasileiras de defesa”, explica o supervisor de Máquinas, Equipamentos e Agronegócios da Apex-Brasil, Maurício Manfré.

Durante a LAAD, o projeto Brasil Defense promoverá ações de relacionamento com adidos comercial-militares dos principais países-alvo das exportações brasileiras, entre eles Estados Unidos, Alemanha e Emirados Árabes.

Além dos armamentos não letais, os destaques da indústria nacional são os equipamentos aeronáuticos de defesa, como Super Tucanos, Tucanos e aviões-patrulha. Responsável pelo projeto setorial na Abimde, almirante Carlos Pierantoni afirma que as exportações compensam o desaquecimento das compras nacionais. Segundo ele, a indústria brasileira tem mostrado criatividade e habilidade na fabricação de produtos que concorram em igualdades de condições com as demais empresas no mundo.

“Temos muito o que oferecer, como o blindado Guarani, parceria da Iveco com o Exército, e o moderno avião de transporte KC390, da Embraer, entre outros”, destaca.

Feira terá 700 empresas

Presidente do Fórum de Defesa e Segurança do Sistema Firjan, Carlos Aguiar Erane diz que, apesar das dificuldades enfrentadas pela indústria nacional e o custo Brasil, as empresas nacionais, principalmente as de armamento não letais, são as que mais exportam, depois da Embraer. Ele cita a arma de choque Spark, fabricada pela Condor e que será apresentada na feira, como um dos destaques brasileiros.

Este ano, a LAAD Defence & Security reunirá mais de 700 expositores nacionais e estrangeiros no Riocentro, em Jacarepaguá. Os visitantes encontrarão na feira o que há de mais moderno para a tecnologia e serviços em mais de 20 setores das indústrias de defesa e segurança, tais como armamento e munição, autenticação, controle de acesso e vigilância, construção em defesa e segurança, consultoria, treinamento e serviços, emergência, salvamento e resgate, engenharia aeronáutica e naval, equipamentos pessoais, perícia criminal e forense, transmissão e comunicação e posicionamento de veículos.

“Com esse cenário, a LAAD reafirma o evento como o principal ambiente para a disseminação do conhecimento, tecnologia e inovação no campo da defesa e segurança na América Latina”, afirma Sergio Jardim, da Clarion Events, organizadora da feira, que espera receber mais de 40 mil pessoas nos quatro dias na Zona Oeste.

Entre os participantes, está a Rostec, corporação estatal da Federação da Rússia, que fabrica e exporta produtos industriais de alta tecnologia para uso civil e militar. As soluções tecnológicas apresentadas pela Rostec destacam-se sistemas inteligentes denominados ‘cidade segura’ e ‘e-governo’.

A empresa brasileira de tecnologia de segurança Aker Security Solutions vai apresentar a plataforma de segurança CelAzul, tecnologia de criptografia para garantir comunicação móvel inviolável por meio de dispositivos como smartphones, tablets ou notebooks. Será a primeira vez o que o sistema será apresentado ao público.

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