Por bferreira

Rio - A alta do dólar levou a Cenconsud — rede varejista chilena com 370 estabelecimentos no Brasil, com as bandeiras GBarbosa, Bretas, Prezunic, Perini e Mercantil Rodrigues — a rever sua estratégia, intensificando a oferta de produtos de marca própria para manter o ritmo de vendas este ano. A previsão para itens importados não deve atingir os patamares projetados, de 2% do faturamento, pelo menos até o ano que vem.

Com 120 produtos atualmente%2C a marca própria Prezunic chegará até o fim deste ano com 300 itens de diferentes categorias Bruno de Lima / Agência O Dia

“Com a desaceleração da economia, as vendas de importados vão diminuir e esperamos chegar a 1,5% do faturamento com produtos de outros países somente em 2016. O impacto do câmbio é latente, e o produto nacional está agora mais competitivo. Este ano, os importados estão representando 0,9% das vendas totais da empresa”, comenta Taciano Araujo, gerente de Importados da Cencosud.

A marca própria da Cencosud leva a assinatura de uma de suas bandeiras, a carioca Prezunic. A expectativa é de que as vendas desses itens representem de 4% a 5% do faturamento no Brasil. Com 120 produtos, a marca Prezunic chegará até o fim do ano com pelo menos 300 itens de diferentes categorias e deve saltar para cerca de 700 no ano que vem.

Samuel Ramos, gerente de Marcas Próprias da Cencosud Brasil, acredita que 2015 será o ano do setor, por conta da atual situação da economia. Em geral, os itens dos próprios varejistas são até 30% mais baratos na comparação com as marcas líderes no mercado.

“Já tivemos, há quatro anos, itens de marca própria com a bandeira GBarbosa, mas queríamos unificar a nossa identidade. E consideramos que o Prezunic tinha esse perfil”, afirmou.

Segundo o mais recente levantamento da Associação Brasileira de Marcas Próprias (Abmapro), feito em meados do ano passado, entre os fatores que dificultam a maior procura do cliente por esses produtos são a falta de melhor estratégia de comunicação, ausência de parcerias para ações nos pontos de venda e pouca visibilidade nas gôndolas.

Linha de importados é voltada para classe A

Ainda de acordo com o o estudo, as marcas próprias representam 6,4% das vendas em valor dos autosserviços. Mesmo com a aposta nos itens da marca Prezunic, a varejista está lançando também uma linha selecionada de importados.

Chamada de Sabores do Mundo, ela reúne itens de 20 países, entre alimentos e bebidas. Mas, por enquanto, ainda está restrita às lojas da bandeira baiana Perini, que tem foco em consumidores da classe A e foi adquirida pela Cenconsud em abril de 2010, por US$ 27,7 milhões — cerca de R$ 85 milhões.

“O espaço Sabores do Mundo estará sempre em lojas com perfil de consumidores classe A, eventualmente A/B. É mais um serviço que chegará para outras bandeiras em breve”, afirma Araujo.

A empresa chilena fechou o ano de 2014 com receita global de 11 bilhões de pesos chilenos, alta de 5,5% ante 2013. Além do Brasil, o grupo atua também no Chile, na Argentina, na Colômbia e no Peru.

Os dados isolados sobre o Brasil não são revelados pela varejista.

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