Por helio.almeida

Rio - Cada vez mais os negros ocupam posições de destaque na hierarquia das empresas. E o sistema de cotas se mostra aliado para a ascensão, corrigindo erros decorrentes da escravidão no país. Por isso, é grande a procura pelo acesso ao Ensino Superior ou por concursos públicos por meio de ações afirmativas.

Elana Ferreira, 32 anos, é beneficiária das cotas e foi aprovada para o concurso da Guarda Municipal do Rio em 2012. “É uma oportunidade para o negro se inserir melhor no mercado. Precisamos aproveitar todas as chances que surgem”, disse Elana, aluna da Academia doConcurso.

Mesmo aprovada naGuarda Municipal%2C Elana Ferreira%2C quer nova oportunidadesDivulgação

Somente de 2013 para 2014, a oferta para cotistas nas universidades federais cresceu 38%, de acordo com o Ministério da Educação. Nos certames, a fatia de negros subiu 30% de 2003 a 2014, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), do IBGE.

Pelo levantamento, as pessoas que se declararam negras representam parcela de 53% do universo da população brasileira. E essa fatia considerável procura mais os preparatórios para concurso público em diferentes áreas, assegura Fernando Bentes, diretor do site Questões de Concursos.

“A cota é um incentivador que faz a pessoa se qualificar para disputar editais”, ressalta Bentes, que também é professor de Direito Constitucional da Universidade Federal Rural do Rio (UFRRJ). “O negro tem a chance de fazer sua história”, acrescenta.

E é isso que faz Claudio Neves, 39 anos. Formado em administração, ele agora estuda para passar na seleção para as polícias Federal e Rodoviária Federal. O estudante aconselha que outros negros como ele tentem as cotas, mas não se limitem apenas a buscar oportunidades que tenham vagas para cotistas.

“Já fiz concurso sem cota. Temos que estar à disposição para todos os casos, conciliar trabalho com estudo”, disse Claudio, que já faz pós-graduação em logística.

DIFICULDADE FAZ COTISTA SE DEDICAR

No dia 10 de março, o Conselho Nacional do Ministério Público considerou legal estabelecer cotas raciais, porém não obriga a adoção da reserva. Contudo, a chama contra um direito voltou a acender.

Um jovem negro causou polêmica comum vídeo na internet ao criticar negros cotistas que entram na universidade. “Não preciso roubar vaga de ninguém”, disse, classificando-os como limitados. “O estudante é constrangido. Dizem que ele tem formação escolar defasada”, diz Fernando Bentes.

Luana Junqueira aproveita as chances para diminuir as desigualdadesDivulgação

Para a analista de Recursos Humanos Lidiane Cassão, não há diferença. “Não se pode dizer que cotista é inferior, mas ele vai se dedicar mais por conta das dificuldades”, afirma.

A estudante de administração Luana Junqueira, 21, concorda: “Eu poderia entrar sem as cotas, mas ficaria sem dinheiro para o material, passageme lanche. Porisso, aproveito as chances para diminuir essa desigualdade”, explica a jovem, aluna no curso Questões de Concurso.

ENTENDA AS COTAS

RIO DEVE CORRIGIR LEI

Por conta de uma má formulação, a lei sobre cotas raciais em concursos no Município do Rio deve ser refeita. A proposta pode ser aprovada na Câmara ainda este ano. Enquanto isso, os certames para 2015 estão sem reserva para negros. No fim do ano passado, a Justiça declarou que o sistema era inconstitucional, alegando falta de elementos que enquadrem quem pode se beneficiar.

Especialista em certames públicos, o advogado Sergio Camargo acredita que o Rio não ficará sem cotas. “O entendimento é que a cota é direito social e a Constituição exige. Por isso vão refazer”, explica.

RESERVA DE VAGAS

Está garantida por lei a reserva de vagas quando há quatro ou mais vagas para um único cargo. Para participar, o candidato deve se declarar negro ou pardo no ato da inscrição. Ele concorrerá em todas as etapas de seleção, como os outros candidatos. Caso umconcorrente branco com familiar negro pleiteiea cota,teráque apresentar documentos que comprovem a descendência que lhe legitime a nomeação.

NA UNIVERSIDADE

A lei garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno nas universidades e institutos federaisa alunos oriundos integralmente do Ensino Médio público. Metade das vagas serão para quem tem renda familiar bruta igual ou inferior a um salário mínimo e meio (R$ 1.182) per capita e os com renda familiar superior a a esse valor.

NÚMEROS

8,8%
É opercentual de negros que concluíram um curso superior noBrasil. Há dezanos, esse número representava 1,8%, segundo o ministério.

44
Número de municípios que têm aprovadas leis correlatas ao sistema de cotas.O Rio de Janeiro e mais três estados já usam
as políticas afirmativas.

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