Por bferreira

Rio - O Estado do Rio despontou como novo eldorado econômico nos últimos anos, se tornou a terra da oportunidade e da esperança para o crescimento da população. A exploração de petróleo na Região da Grande Macaé, o polo petroquímico de Itaboraí (Comperj), os royalties para as prefeituras, a melhoria da segurança pública com a criação das UPPs, as obras para todos os lados, com vistas a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, tudo ventando a favor.

De uma hora para a outra parece que o vento mudou. O preço do barril de petróleo despencou para menos de US$ 50 (já foi mais de US$ 150), o escândalo na Petrobras, a diminuição no recebimento dos royalties e o dinheiro que sobrava, começou a faltar, afetando empreendimentos públicos e privados, tornando o pesadelo em realidade.

Os problemas econômicos não são poucos. Empreiteiras estão quebrando e demitindo em massa, metrô para São Gonçalo mais uma vez adiado, Itaboraí que virou cemitério de ferragens, obras do Arco Metropolitano paradas e investimentos no setor petrolífero e naval interrompidos. Tudo em meio a um questionamento sobre a eficácia do crescimento acelerado das UPPs, sem a afetiva presença do Estado com serviços básicos complementares, com a constatação do recrudescimento da violência no Rio.

Embora a prefeitura continue a todo a vapor com obras para as Olimpíadas, não resta outra solução ao estado a não ser privatizar as rodovias e o Arco Metropolitano. É preciso discutir com a sociedade qual a melhor solução de transporte de massa para São Gonçalo e Itaboraí, se a alternativa de criar um BRT já não nasce com dias contados, pois apesar de custar duas vezes menos do que o metrô, tem capacidade de passageiros dez vezes menor.

É hora de repensar a atuação das UPPs para que os avanços na segurança pública não sejam destruídos. A solução passa, certamente, pela melhoria nas condições de trabalho e de treinamento da polícia militar e na maior eficiência com os demais serviços nas comunidades pacificadas e nos seus entornos.

Professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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