Levantamento revela que comer bem sai 150% mais caro para os cariocas

Pesquisa mostra que o índice de obesidade ficou estável no país em 2014, mas o número de brasileiros acima do peso é cada vez maior e já atinge 52,5% da população adulta

Por O Dia

Rio - Manter a forma é difícil. Mas em tempos de crise econômica fica mais ainda. Já não bastassem as tentações gastronômicas, o consumidor tem que se preocupar ainda com o peso dos alimentos saudáveis no bolso. Levantamento feito pela reportagem do DIA no Centro do Rio de Janeiro revela que se alimentar bem custa até 150% mais caro que comer mal.

Nathalia escolheu o quitute da moda%3A ‘Evito comer besteira. A tapioca é gostosa e saudável%2C além de não ser tão cara’Bruno de Lima / Agência O Dia

Nas proximidades da Avenida Rio Branco, por exemplo, há uma grande oferta de barraquinhas com os mais variados quitutes. Os mais baratos são, ao mesmo tempo, os mais calóricos. E são poucos os que conseguem resistir à tentação. Enquanto o cuscuz com leite condensado sai a R$ 2 e o cachorro quente a R$ 2,5, a tapioca — rainha da geração ‘fit’ — chega a custar R$ 5. Ou seja, na comparação, a opção saudável é 150% e 100% mais cara, respectivamente.

Quem almoça na rua também sente essa diferença. Um prato feito tradicional, com arroz, feijão, bife e batata frita custa entre R$ 18 e R$ 25, em média. É possível encontrar opções diferenciadas, mas o preço sobe significativamente. É o caso do escondidinho de batata baroa com proteína de soja e acelga refogada com castanhas, em um restaurante vegetariano, que custa R$ 32: uma diferença de 78% em relação à refeição comum.

O mesmo acontece nas redes de alimentação rápida. O Mc Donald’s cobra R$ 20 pelo Big Mac com batata frita e refrigerante, enquanto em uma franquia de alimentação saudável o combo com salada, carboidrato e suco sai a R$ 25,40.

Levando em consideração que o valor médio do vale-refeição dado pelas empresas da Região Sudeste é de R$ 23,15, é fácil entender porque os trabalhadores muitas vezes optam pelo mais barato e, não necessariamente, o mais saudável.

É o caso da paisagista Elizângela Salino Mariano, 44 anos, que tenta manter uma alimentação balanceada, apesar do preço. “Como eu não tenho tempo de tomar café da manhã em casa, compro um suco reforçado em uma lanchonete perto do trabalho, que tem banana, iogurte e mel, mas custa R$ 8. Também gosto de arroz integral, linhaça, mas nem sempre encontro restaurantes que tenham essas opções. E quando têm, são mais caros”, diz.

Para o nutrólogo José Alexandre Portinho, a melhor saída para fugir dos preços altos é levar o almoço de casa. “Além de ser mais barato, a pessoa sabe como a comida foi feita. Mas é necessário ter cuidado com o armazenamento. É muito importante guardar na geladeira”, alerta o especialista. Segundo ele, também há formas de comer na rua sem gastar tanto. “Ao pedir um prato feito, por exemplo, a pessoa pode pedir para substituir a batata frita por legumes ou verduras”.

A funcionária pública Ana Maria Bragança, 30, conta que mesmo cozinhando em casa sente o peso da alimentação saudável no bolso. “A gente acaba usando ingredientes específicos, como quinoa, linhaça, ou produtos como pães integrais, que são bem mais caros”, afirma.

Segundo Portinho, houve uma mudança, desde os anos 50, na relação entre renda e alimentação. “Antigamente, quem consumia alimentos orgânicos e integrais era o pobre, que vivia no campo e tinha mais acesso. Os ricos compravam produtos industrializados, que eram mais caros. Hoje em dia essa relação se inverteu. Com o crescimento da indústria, os alimentos orgânicos passaram a custar o dobro dos industrializados e, por isso, nem todos conseguem consumi-los”.

A dica, de acordo com ele, é dar preferência a verduras folhosas orgânicas, que não recebem carga de toxinas. E, se possível, plantar em casa temperos, como alecrim, mangericão e salsinha.

SAIBA MAIS

SOBREMESA
Nem sempre é fácil resistir à vontade de comer um doce depois do almoço. E enquanto um churros custa R$ 2, o quilo de uvas, por exemplo, sai por R$ 12. Mas o nutrólogo José Alexandre Portinho afirma que é possível se deliciar com um calórico churros sem engordar tanto. “Quando a pessoa come um doce depois do almoço, cerca de 30% do açúcar deixa de ser absorvido. Mas em jejum, a glicose aumenta muito, então é melhor evitar”, diz.

PIPOCA
Unanimidade entre os cariocas, a pipoca de rua geralmente vem acompanhada de bacon e muito sal. “O que o pessoal mais gosta é do bacon. O cheiro vai longe e chama clientes”, conta Alipe Libânio Pereira, pipoqueiro há 30 anos. No Centro, a pipoca custa em média R$ 2,50, enquanto o milho cozido — mais saudável — sai por R$ 5. Para matar o desejo, a saída é fazer a pipoca em casa, de preferência na panela, com pouca gordura e pouco sal.

SORVETE
O preço do sorvete também costuma variar bastante. Enquanto uma casquinha de baunilha ou chocolate sai por R$ 2, o preço indicado para um picolé de frutas é R$ 2,50 — mas a maior parte dos pontos de venda cobra a partir de R$ 3. Já as paletas mexicanas, alternativas mais saudáveis por serem artesanais e conterem polpa de fruta, chegam a custar R$ 9.

Metade do país acima do peso

Pesquisa do Ministério da Saúde divulgada este mês mostra que o índice de obesidade ficou estável no país em 2014, mas o número de brasileiros acima do peso é cada vez maior e já atinge 52,5% da população adulta. Há nove anos, essa taxa era de 43%. Além disso, o estudo demonstra que a obesidade é maior entre as pessoas com menor escolaridade.

O maior índice (58,9%) foi entre as pessoas com 0 a 8 anos de estudo, enquanto 45% do grupo que estudou 12 anos ou mais estão acima do peso. O impacto da escolaridade é ainda maior entre as mulheres, em que o índice entre os mais escolarizados é ainda menor, 36,1%. As mesmas diferenças se repetem com os dados de obesidade. O índice é maior entre os que estudaram por até 8 anos (22,7%) e menor entre os que estudaram 12 anos ou mais (12,3%).

Por meio da assessoria de imprensa, o Ministério da Saúde informou que o recorte por escolaridade pode ser interpretado como nível de renda. Desta forma, é possível dizer que a taxa de obesidade e sobrepeso também é maior entre as pessoas que têm menos recursos financeiros.

TAPIOCA É A QUERIDINHA DA VEZ

Em meio à onda do “sem glúten”, a tapioca conquistou de vez o coração dos cariocas. E o vendedor Luis Gilvan da Rocha Silva, 25 anos, só tem a comemorar. “Depois que a Gisele Bündchen disse que comia tapioca, então, o movimento cresceu mais ainda”, brinca. Segundo ele, as vendas aumentam na parte da manhã e na hora do almoço. “Entre 7h e 9h as pessoas compram tapiocas com queijo minas e peito de peru, principalmente mulheres, porque acham mais light. No almoço, o sabor que mais sai é de carne seca. Outro dia até a Camila Pitanga comprou tapioca comigo. Ela pediu de queijo coalho”, conta, orgulhoso.

A bancária Nathalia Peixoto, 20, é adepta do quitute. “Eu malho, então evito comer besteira. A tapioca é gostosa e saudável, além de não ser tão cara”, explica.

Para o nutrólogo José Alexandre Portinho, o consumo da tapioca é recomendável, principalmente no café da manhã e no lanche. “Tem muita fibra e aumenta o período de saciedade, ou seja, a pessoa passa mais tempo sem sentir fome e por isso acaba comendo menos”, informa o especialista.

No entanto, ele afirma que a tapioca não deve substituir um prato de comida no almoço. “Essa é a segunda refeição mais importante do dia, depois do café da manhã. O prato deve ter o tradicional arroz com feijão, além de uma proteína, legumes e verduras”.

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