Tesouro simplifica venda de papéis de olho em jovens

Compra diária, orientador financeiro e nomes simples já elevam número de investidores

Por O Dia

Rio - Investimento seguro a partir de R$ 30 sem ser a poupança. Assim está sendo vista a aplicação em papéis do Tesouro Nacional, que simplificou a nomenclatura dos seus títulos de olho no público jovem, abaixo da faixa dos 26 aos 35 anos, que hoje é maioria dos investidores, de acordo com pesquisa do próprio órgão do Ministério da Fazenda.

Thadeu Lasmar e a esposa Lidiane Moret curtem viagem à Montevidéu%2C uma das formas do casal aproveitar os seus rendimentosDivulgação

Comprar títulos do Tesouro significa emprestar dinheiro para o governo com a garantia de receber o que emprestou, mais a correção pelos juros de acordo com o tipo de papel comprado. Tal operação ficou mais clara após a mudança na nomenclatura no dia 10 de abril (confira os detalhes no quadro Saiba Mais).

Antes, o investimento por pessoas físicas era feito presencialmente nos bancos e somente de forma indireta,ou seja, por meio de fundos de renda fixa e por intermédio de corretoras que cobravam altas taxas administrativas, o que acabava espantando pequenos investidores.

Com o baixo rendimento da poupança, cerca de 6% ao ano mais taxa referencial, aplicar no Tesouro tem se mostrado uma boa alternativa, já que os títulos rendem de 12% a 13%, o dobro comparado à poupança. E com as mudanças ocorridas no último mês, como a compra diária de papéis, apontaram uma melhoria significativa no volume de vendas mensais. Também contribuíram a alteração dos nomes dos títulos (tornando-os mais intuitivos), a modernização do site e a criação de um orientador financeiro (para auxiliar os investidores na escolha do título mais adequado a cada objetivo). O resultado já se percebe na venda de títulos a investidores, que atingiu a marca de 66.356 operações, a maior quantidade desde 2012, além do número de investidores cadastrados conforme mostra o último balanço do Tesouro Direto.

Saiba como investir no Tesouro 

Professor de finanças do Ibmec-RJ, Gilberto Braga esclarece que o Tesouro é um bom primeiro passo para quem quer começar a investir além da poupança. “Aproveite para diversificar as aplicações com o Tesouro Direto, e se preferir, mantenha a poupança, isso te deixará mais confiante”. Para os que já investem, ele ressalta: “Se tiver um perfil atraente ao seu banco, este pode oferecer taxas mais baixas que as praticadas pelas agências de custódia ou até mesmo isentá-lo dessas taxas.”

Thadeu Lasmar, 34 anos, diz que “comparado à poupança, papéis do Tesouro são bem mais atraentes”. Hoje o jovem empresário prefere os rendimentos do Tesouro devido a alta taxa de juros do país.

Como começar a investir sem mistérios

Para quem deseja investir nos títulos do Tesouro é preciso três pré-requisitos: ser brasileiro, ter CPF e ser correntista de alguma agência bancária. A partir disso é preciso escolher uma corretora, chamada de agente de custódia neste caso, para intermediar suas transações com o Tesouro Direto. As agentes de custódia podem cobrar ou não taxas para fechar essas transações. Confira a lista de instituições financeiras habilitadas aqui

Definido o agente, este abrirá um cadastro em nome do investidor e vai fornecê-lo uma senha provisória, que deverá ser alterada para uma pessoal o quanto antes. Com a senha em mãos o investidor já poderá fechar operações de compra e venda junto ao Tesouro. Para escolher o título que melhor se adeque ao seu perfil, o interessado pode consultar o Orientador Financeiro, uma das novas ferramentas online oferecidas.

SAIBA MAIS

APLICAÇÕES
As aplicações podem ser feitas diretamente no site do Tesouro Direto, através da página do agente de custódia, que para isso precisa ser um agente integrado, ou seja, que tem seu site integrado ao site do Tesouro Direto, ou por meio de instituição financeira, onde o investidor autoriza a negociações em seu nome.

PREFIXADOS
Esses papéis oferecem pagamento simples dos juros, ou seja, ocorrem de uma só vez, no final da aplicação. É indicado para quem não tem pressa em complementar a renda.

JUROS SEMESTRAIS
Esse título oferece pagamento semestral. Isso significa que o rendimento é recebido pelo investidor ao longo do período da aplicação. Para este, vale ressaltar que há incidência de Imposto de Renda (IR).

TESOURO SELIC
A rentabilidade desse título é indexada à taxa de juros básica da economia, a Selic. É indicado para perfil mais conservador por ser título de baixa volatilidade. Tem fluxo de pagamento simples.

TESOURO IPCA
Esse papel pode ser comprado de duas formas. A primeira tem pagamento de juros simples e se o investidor planeja reinvestir os valores recebidos a cada seis meses, essa é uma aplicação interessante, pois garante que a taxa de rentabilidade incida sobre um montante superior já que não sofreu reduções em função da incidência do IR.

A segunda opção é o Tesouro IPCA com juro semestral. Esse título tem rentabilidade real, ou seja, o investidor terá um lucro sempre maior que a inflação, pois seu rendimento é composto por duas parcelas (juros semestrais + IPCA). Para esse título também há incidência de imposto de renda (IR).

Reportagem de Paola Lucas

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