Carro usado passa a valer mais na troca por um novo

Em busca de clientes, lojas pagam até o valor da tabela Fipe em seminovos dados de entrada

Por O Dia

Rio-  Com o fim do IPI reduzido e a queda do poder de compra da população brasileira, a venda de automóveis zero quilômetro tem caído consideravelmente. Para reverter essa situação, a indústria e as concessionárias vêm apostando em promoções e até mesmo em condições mais vantajosas para os consumidores venderem seus carros usados. Agora, a tabela Fipe, que costuma avaliar os automóveis em valores muito acima dos praticados pelo mercado, tem sido usada como referência nas concessionárias ao adquirir os automóveis dos clientes.

O funcionário público Leonardo Cardoso aproveitou as condições vantajosas do mercado para trocar seu Gol ano 2004 pelo modelo de 2015Alexandre Brum / Agência O Dia

Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) mostram que este ano teve o pior fevereiro para as vendas no segmento desde 2008. Houve queda de 26,68% no número de emplacamentos em relação a janeiro; e de 27,28% na comparação com o mesmo período do ano passado.

Proprietário da concessionária Avanti Rio Fiat, Luiz Alexandre Motta conta que além de comprar os automóveis usados pelos valores da tabela Fipe, também oferece carros de 2015 com os preços praticados em 2014, antes de a alíquota subir. “A gente está fazendo qualquer negócio pelo cliente. Apesar do aumento da taxa Selic, os juros continuam bem atrativos”, acrescenta.

Francisco Veríssimo, sócio da concessionária Distac, afirma que está comprando carros usados por 90% do valor da Fipe. “É claro que isso vale para os automóveis em bom estado. É preciso avaliar”, conta.

Além disso, o cliente pode acumular este ganho com outras promoções. Neste fim de semana, por exemplo, a Distac oferece descontos de R$ 5 mil no Gol e de R$ 3 mil no Fox.

“O mercado automobilístico está passando por dificuldades e precisa vender. Por isso as fabricantes também nos dão condições para que a gente consiga oferecer preços melhores”, explica Veríssimo.

A Volkswagen, por exemplo, lançou ontem uma campanha em que será possível comprar os modelos Gol e Voyage com parcelas de apenas R$ 35 até o fim do ano.

A Renault, por sua vez, oferece vantagens como emplacamento grátis e baixo custo de revisão. Já na Ford o cliente pode parcelar um automóvel em 30 vezes com condições especiais de financiamento.

Montadoras esperam queda de 10% na produção de veículos

O desaquecimento da economia levou as montadoras instaladas no Brasil a traçar um novo cenário de atividades no setor para 2015, revertendo a projeção que tinham no começo deste ano, de alta de 4,1% na produção de veículos. A estimativa agora é de queda de 10% e um total de 2,83 milhões de unidades produzidas.

O setor também alterou a expectativa de estabilidade nas vendas ao mercado interno, prevendo que os licenciamentos cairão 13,2%, o equivalente ao escoamento de 3,03 milhões de unidades. Nesse volume estão incluídos os automóveis, veículos comerciais leves, caminhões e ônibus.

O presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, afirmou que foi mantida a projeção de crescimento de 1,1% nas exportações, mas sem perder de vista as chances de retomar o mercado interno.

O executivo espera resultados melhores para o próximo trimestre. Para ele, mais do que uma crise econômica, o que afeta o setor é a crise de confiança. Moan defende a aprovação do ajuste fiscal como forma de resgatar a percepção mais otimista do mercado com maior confiança dos investidores e consumidores. Moan informou que as montadores estão fazendo o possível para manter os empregos.

Estratégia favorece troca de carro

Aproveitando as condições favoráveis oferecidas pelas concessionárias, o servidor público Leonardo Cardoso, 49 anos, deu seu seminovo, um Gol Power ano 2004, de entrada para a compra de um carro novo. Ele fez a troca pelo mesmo modelo, um Gol ano 2015. “O preço que meu semi novo foi avaliado foi realmente atrativo”, afirmou.

Cardoso é funcionário público municipal e financiou o restante através de seu banco. Por trabalhar na área pública e ser um cliente atraente para os bancos, ele não enfrentou dificuldade para conseguir o financiamento.

“Mesmo com o preço atraente dos seminovos nesse início de ano, optei por um carro novo, pois rodo pouco. Moro e trabalho no mesmo bairro”, conta ele, que não tem hábito de trocar de carro frequentemente.
Gerente geral de vendas na Distac, Marcio Carvalho afirma que a concessionária começou a adotar a tabela Fipe na avaliação de seminovos há duas semanas e que vem obtendo um “ótimo resultado”.

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