Por bferreira

Rio - Quando eu era criança se dizia que em cada esquina do Rio tinha uma padaria ou um bar. Mais recentemente se passou a dizer que em cada esquina tem alguma faculdade. Essa constatação é a exata imagem do modelo educacional do Ensino Superior brasileiro. As universidades passaram a usar uma estratégia semelhante ao das franquias empresariais e se multiplicaram pela cidade. O que permitiu essa expansão das universidades privadas foi o FIES – Fundo de Financiamento Educacional. Esse fundo do governo funciona como um financiamento das mensalidades, pagando integralmente ou parcialmente às faculdades, para depois receber dos alunos, quando eles se formarem.

Muita gente que não conseguiu vaga nas universidades públicas foi tentar o seu canudo nas particulares, recorrendo ao FIES. O programa se tornou um forte instrumento político do governo, mas está envolto em várias dúvidas. Primeiro porque o site do programa teve problemas e muitos universitários ainda não conseguiram renovar os seus contratos em 2015. Segundo porque não avisaram que o FIES tinha limitação de verba.

No ano passado quase meio bilhão de novos contratos foram feitos no primeiro semestre, mostrando o sucesso do FIES. Qualquer gestor competente teria a capacidade de imaginar que um movimento igual ou maior seria esperado para 2015. Entretanto, a verba disponível só deu para a metade disso, cerca de 250 mil novos contratos.

A contenção de verba é até financeiramente justificável no bojo das medidas de ajuste fiscal da economia, mas não é aceitável como política de Governo. Não é razoável que se trate a educação como uma despesa supérflua a ser cortada.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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