Por bferreira

Rio - Quatro em cada dez brasileiros estão endividados, segundo indicador do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O estudo também revela que o número de dívidas em atraso subiu 2,83% em abril, na comparação a março, caracterizando a maior alta desde o começo da série histórica, em 2010. Na comparação com abril do ano passado, houve alta de 5,02%.

O SPC Brasil estima que, entre março e abril deste ano, cerca de 600 mil consumidores foram incluídos em listas de devedores negativados. Com este resultado, já são 55,3 milhões de inadimplentes, número equivalente a 37,9% da população entre 18 e 95 anos.

“Os bancos passaram a ser mais rigorosos na hora de conceder financiamentos, mas com o desemprego atingindo níveis mais altos e a inflação subindo, o consumidor fica com maior dificuldade para pagar suas pendências”, explica Honório Pinheiro, presidente da CNDL.

Além disso, a falta de planejamento é um fator que ajuda a agravar a situação num momento de economia fragilizada. Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, afirma que as dívidas menores são aquelas que mais costumam levar à inadimplência, pois exigem comprometimento menor.

“Os brasileiros têm o costume de parcelar compras pequenas, como roupas, sapatos, e isso acaba gerando um problema grande, pois a pessoa não se planeja para pagar e só percebe o tamanho da dívida quando a fatura chega. Com a atual situação econômica não é hora de parcelar, mas sim de pagar à vista”, avalia.

O cabeleireiro Fabio Carvalho de Jesus, 32 anos, segue esse conselho à risca para evitar ficar no vermelho. Ele já fez parte da lista de inadimplentes, mas aprendeu que precisa manter a organização financeira. “Moro com minha irmã e dividimos as contas de casa. Precisamos contar com o compromisso um do outro. A principal lição é que não devemos gastar mais do que ganhamos”, afirma o consumidor.

NEGOCIAÇÃO
De acordo com Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil, o primeiro passo para sair da inadimplência é negociar. “Muitas vezes o consumidor tem medo de procurar o credor. Mas a gente sabe que a maior parte das pessoas que fica inadimplente não é por má fé. É por falta de planejamento”.

PLANEJAMENTO
O segundo passo é pensar em uma proposta que esteja de acordo com o orçamento. “O consumidor tem que se preparar para a negociação. Tem que pensar antes quanto vai poder pagar, se tem como vender um carro ou uma televisão, por exemplo, para quitar ou pagar parte da dívida. Geralmente, quando o credor aceita a proposta, dá pouco tempo para o devedor pagar. Se não tiver planejamento, fica mais difícil”, diz Marcela.

RESERVA
Por fim, a economista aconselha que todos, mesmo quem não está inadimplente, façam reservas financeiras para evitar adquirir dívidas se houver imprevistos.

Você pode gostar