Por paulo.gomes

Rio - A Bolsa de Valores ainda é terreno nebuloso para muita gente que gostaria de investir em ações, mas não sabe por onde começar. O baixo rendimento da poupança aponta para a necessidade de diversificar as aplicações com opções mais rentáveis, e a Bolsa pode ser uma alternativa para aqueles que suportam risco.

Partindo do princípio de que se pode ganhar ou perder, a primeira questão a ser avaliada pelo investidor de primeira viagem é se aquele recurso que será aplicado vai fazer falta, caso as ações se desvalorizem.

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“Só se deve aplicar na Bolsa recursos quem não vai precisar dos recursos pelo menos no curto ou médio prazos”, alerta Ricardo Teixeira, coordenador do MBA de Gestão Financeira da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Além disso, mesmo que o dinheiro investido não seja imprescindível, é importante considerar os impactos psicológicos de apostar em uma aplicação de risco.

“Investir na Bolsa exige sangue frio e horizonte longo. A pessoa tem que saber que não vai poder se desesperar se a ação cair, muito menos vender quando percebe que está perdendo dinheiro. Tem que saber esperar, pois a queda pode se transformar em lucro. As empresas estão sujeitas a passar por dificuldades”, avalia Teixeira.

Se após considerar esses pontos o investidor ainda quer comprar ações, o primeiro passo é procurar uma corretora ou um ‘home broker’, isto é, alguém que tem acesso por meio de uma corretora para fazer as operações. Segundo Amerson Magalhães, diretor da Easynvest, a maioria das corretoras oferece cadastro eletrônico. “Em 15 minutos, o interessado está pronto para investir”, afirma.

Na maior parte dos casos, é cobrada taxa de custódia, mas algumas pedem pagamento pelo volume, ou seja, o número de ordens executadas por mês. Antes de se cadastrar, o consumidor deve levar em consideração o quanto vai gastar para fazer as operações.

Para Ricardo Teixeira, o cliente deve optar sempre por uma corretora de confiança. Caso não tenha, a alternativa é procurar o gerente do banco. “Normalmente, as grandes instituições bancárias têm suas próprias corretoras”, explica.

O segundo passo é escolher a empresa em que vai investir. Para Amerson Magalhães, quem entrou agora nesta seara deve evitar comprar ações diretamente, mas optar por fundos de investimento, os ‘Exchange Traded Funds’ (ETF).

“Essa é a porta de entrada. O consumidor vai escolher, na verdade, um segmento ou um grupo de ações para investir. A vantagem é que o consumidor consegue com valores mais baixos diversificar suas aplicações. À medida que vai se familiarizando com o mercado, a pessoa pode começar a fazer análise das empresas e investir por conta própria”, afirma.

Segundo o diretor da Easynvest, os pontos a serem considerados na compra de ações são a perspectiva do setor em que a empresa está inserida, como a companhia se posiciona em relação aos seus pares, como é a participação no mercado e quais os planos de investimento. “Quem compra ações está se tornando sócio da empresa e, portanto, tem que buscar informações sobre sua administração”, orienta Magalhães.

O consenso entre os especialistas do mercado, no entanto, é variar sempre as ações, por mais experiente que o investidor seja. “A princípio, diversificar os investimentos reduz o risco, mas também limita o ganho. O melhor do ponto de vista lógico é fazer uma carteira de ações de diferentes segmentos. Depois, quando a pessoa tiver prática, pode investir mais em determinada empresa”, observa Teixeira, da FGV. “Investir na Bolsa pode dar um retorno muito bom se a pessoa souber como agir”, conclui o especialista.

Compra de papéis exige pesquisa e cálculo prévios

VALOR DO INVESTIMENTO

Em tese, não existe valor mínimo para investimento na Bolsa. Mas geralmente as corretoras fixam um patamar que varia. O diretor da corretora Easynvest, Amerson Magalhães, por exemplo, não recomenda investimentos abaixo de R$ 10 mil. Mas a Bovespa informa que é possível aplicar nos fundos de índices — os Exchange Traded Funds (ETFs) — com cerca de R$ 200.

TAXAS

As corretoras cobram taxas de custódia e de corretagem. O valor do investimento deve levar em consideração esses percentuais. Por exemplo: se a pessoa vai investir R$ 100 em ações e sua corretora cobra R$ 10 de taxa de custódia e R$ 8 pela taxa de corretagem, o investidor vai precisar de um rendimento superior a R$ 18 todos os meses (a soma das duas taxas) para o investimento compensar.

PERFIS

Existem diversos tipos de investidor na Bolsa. Os extremos são os que fazem ‘day trade’ e ‘buy and hold’. No primeiro caso, os investidores compram e vendem ações no mesmo dia, conforme seus preços sobem e descem. Os segundos mantêm as ações e só vendem quando têm expectativa de ganho maior em outra empresa. Em ‘day trade’, a vantagem é lucrar no mesmo dia percentuais que podem ser consideráveis, no entanto, o imposto é maior. Já os ‘buy and hold’ ganham com os dividendos, ou seja, a parcela do lucro de uma empresa distribuído aos seus acionistas como participação nos resultados.

IMPOSTO DE RENDA

É possível declarar as ações no modelo simplificado da Receita. Porém, o cálculo é complexo. Segundo Amerson Magalhães, no caso de ‘day trade’, 1% é recolhido na fonte e 19% são recolhidos em Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) até o último dia do mês subsequente à ação. Se for operação final (quando não é no mesmo dia), vendas inferiores a R$ 20 mil no mês são isentas de imposto. Se for acima desse valor, recolhem 15%. Na hora de preencher a declaração, o investidor precisa informar mês a mês as operações. Algumas corretoras oferecem o serviço de fazer a declaração do IR.

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