Por bferreira

Rio - Uma lei aprovada na França, na semana passada, pode ser comparada à história de “como colocar um ovo de pé”. Ela é tão simples e óbvia, que além de genial, nos leva a perguntar a razão de ninguém ter pensado nisso antes. Trata-se da obrigatoriedade de que os supermercados com mais de 200 metros quadrados passem a doar compulsoriamente os alimentos não vendidos para a instituições de caridade, para a ração animal e para a compostagem agrícola. O prazo para a implantação da lei é de um ano, cabendo aos supermercados estabelecer convênios com as instituições que serão beneficiadas com as doações.

No Brasil, os produtos com data de validade próxima do vencimento normalmente são postos à venda como promocionais e com preços reduzidos. Quando encalham vão para o lixo e os proprietários e o país perdem. Diferentes estudos estimam que 30% dos alimentos produzidos no nosso país são desperdiçados. Trata-se de um percentual absurdo quando se pensa que há tanta gente precisando por aí.

Esse tipo de lei forçará que os supermercados franceses estabeleçam uma política de reciclagem de produtos, estabelecendo por exemplo, uma data limite em relação a de vencimento para que os produtos possam ser direcionados para outros usos ao invés de serem simplesmente descartados.

No nosso país o exemplo deveria ser copiado pelos nossos parlamentares e governantes. Ele nos leva a refletir, também, sobre a possibilidade de termos políticas sobre o reaproveitamento de alimentos caseiros que não serão aproveitados. Algo semelhante, por exemplo, a reciclagem de lixo que já existe em bairros do Rio. Poderia haver coleta seletiva de alimentos em postos de aglutinação de doações.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

Você pode gostar