Por tabata.uchoa

Rio - Um escritor renomado, um DJ reconhecido e um editor-chefe de um programa de TV. As carreiras de Jessé Andarilho, Andrey Barbosa e Édipo Ferraz são exemplos de como uma oportunidade de estudo pode mudar o fluxo da vida de moradores de favelas do Rio. Os três tiraram proveito dos cursos que a Central Única das Favelas (Cufa) volta a oferecer este semestre de forma ampliada: serão 2.500 alunos distribuídos em 60 cursos, a maioria voltada para a chamada indústria criativa.

Andrey (DJ)%2C Édipo (câmera) e Jessé (com livro) são alguns dos jovens de periferia revelados pela Cufa em 14 anos de cursosFernando Souza / Agência O Dia

Jessé, 33, morador de Antares, na Zona Oeste, lembra que até 2012 não tinha perspectiva, até que resolveu estudar Cinema na Cufa, curso que é apadrinhado pelo cineasta Cacá Diegues. “Eu não tinha nem terminado o Ensino Fundamental, não gostava de escrever. Acabei fazendo parte de um grupo de roteiristas e incentivado a criar histórias”, lembra.

O incentivo acabou culminando no livro ‘Fiel’ (2014). Entre os reconhecimentos, ele foi convidado para a renomada Feira de Bologna, na Itália, e para dar palestras. “Ampliei meus horizontes. Aprendi que posso fazer outras coisas”, diz Jessé, que se prepara para lançar seu segundo romance e três livros infantis, todos este ano, além de participar de duas mesas da Feira Literária Internacional de Paraty e de ser roteirista da novela Malhação, da TV Globo. “Também quero ser jornalista”, revela.

COMO PARTICIPAR
Entre as atividades oferecidas nos cursos da Cufa estão basquete de rua, futebol, dança, teatro, capoeira, MMA, jiu-jitsu, Muay-thai, fotografia, informática, produção audiovisual e produção cultural. As aulas ocorrerão na sede da organização, em Madureira. Todas as atividades são gratuitas. Os interessados devem comparecer à Secretaria Social da central, localizada na entrada do Espaço Cufa (Rua Francisco Baptista 2, sob o viaduto Negrão de Lima), e apresentar duas fotos 3x4, cópias da identidade ou da Certidão de Nascimento e do CPF, comprovante de residência, declaração escolar e atestado médico para a prática esportiva. Mais informações pelo telefone (21) 2489-7927. As inscrições podem ser feitas de segunda a sexta, das 8h às 22h.

“Os casos de ex-alunos que mudaram completamente suas trajetórias após passarem pelos cursos da Cufa não são poucos”, afirma Nega Gizza, 38, rapper e fundadora da ONG. “Volta e meia vou em alguma reunião e vejo ex-alunos em produtoras e eventos. Aí percebo a importância, o impacto que causamos”, acrescenta.

Segundo ela, ao menos 20 mil jovens já passaram pelos cursos nos 14 anos de existência da ONG. “Muita gente acha que geração de renda se resume a curso de informática, mas o que fazemos aqui é dar mecanismos para gerar dinheiro e renda, além das carreiras tradicionais.”

EDITOR, DJ E PROFESSOR
Quando o editor-chefe do programa Aglomerado, da TV Brasil Édipo Ferraz, 26, morador de Madureira, começou a estudar audiovisual na Cufa, em 2007, não esperava estar mudando seu futuro. “Nem sabia do que o curso tratava quando comecei. Aprendi a filmar e editar. Fui trabalhar com eventos e outros convites foram surgindo”, conta.

Andrey Barbosa, 20, também morador de Madureira, foi para a Cufa em 2014, aprender técnicas de DJ. “Eu tocava em casa. O professor sentiu que eu tinha um dom. Já toquei em festivais famosos, como o de rap Hutuz”, diz. Já Orlando Corrêa, 33, dá aulas de basquete de rua, esporte que aprimorou na própria Cufa, há 12 anos. “Entrei e acabei não saindo mais”, recorda.

Você pode gostar