Por bferreira

Rio - Milhares de trabalhadores de diversas categorias paralisaram suas atividades e foram às ruas ontem nas 26 capitais do país e no Distrito Federal para protestar contra os cortes promovidos pelo governo no ajuste fiscal e o projeto que regulamenta a terceirização. Os atos ocorreram durante todo o dia em todos os estados da federação, na capital e em cidades do interior.

Trabalhadores e estudantes seguiram para Cinelândia onde um caminhão serviu de palanqueFernando Souza / Agência O Dia

Em diversos municípios, como Porto Alegre, Belo Horizonte e Recife, o transporte público foi afetado, com a paralisação de linhas de ônibus, trens e metrô. Comparado a estados como São Paulo e Rio Grande do Sul, a adesão no Rio foi mais modesta. Na capital fluminense, a mobilidade não foi afetada e trens, metrôs e ônibus circularam normalmente.

Durante a manhã, algumas categorias promoveram atos isolados. Os portuários da Companhia de Docas do Rio, por exemplo, cruzaram os braços até meio-dia. A categoria luta por um reajuste de 14%, enquanto a companhia ofereceu 10% de aumento. Os petroleiros paralisaram atividades em 20 plataformas da Petrobras, mas a produção não foi parada, segundo o Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindpetro-NF).

Nas praias de Imbetiba e Campista, em Macaé, os sindicalistas fizeram um “trancaço”, bloqueando o acesso às unidades da petrolífera. Em Duque de Caxias, houve confusão e um sindicalista foi agredido na porta da Reduc, no início da manhã. Segundo a CUT, Simão Zanardi, presidente do Sindipetro Caxias e diretor da FUP, foi imobilizado por policiais que disseram ter ido ao local a mando da direção da empresa. Procurada, a Petrobras não se manifestou.

Já os bancários pararam as atividades na avenida Rio Branco, no Centro. A maior parte das categorias optou por participar um protesto unificado na Cinelândia, no início da noite.

As manifestações foram apoiadas pelo coro de diversos estudantes secundários e universitários. Nas universidades públicas, o momento é delicado, com cortes nos orçamentos federal e estadual.

“Não aceitamos que o trabalhador tenha que pagar por esses ajustes e acho muito importante o apoio dos estudantes aqui hoje. Eles serão trabalhadores amanha”, afirmou Lucas Ferreira, coordenador da Secretaria dos Terceirizados do Sindpetro.

O movimento ocorreu dias depois do Senado referendar as duas principais medidas provisórias do ajuste fiscal, a MP 664 e a MP 665, que restringem a concessão de benefícios como o seguro-desemprego, a pensão por morte e o abono salarial. Para as centrais sindicais, os cortes feriram direitos históricos dos trabalhadores. Já o Projeto de Lei 3.440, que libera a terceirização nas atividades-fim das empresas, passou na Câmara e atualmente está em análise no Senado.

Professores apoiam movimento

O clima de insatisfação dos trabalhadores tem sido intensificado pelas greves de professores em diversos estados. Em pelo menos 14 estados, docentes de universidades federais estão com os braços cruzados.

No Rio de Janeiro, os docentes e técnicos administrativos da Universidade Federal Fluminense (UFF) entraram em greve na quinta-feira. Na UFRJ, alunos da pós graduação decidiram suspender as aulas até o dia 9 de junho, quando haverá uma assembleia para decidir se haverá deflagração de greve.

A professora de História Contemporânea da UFF, Tatiana Roggi, 33, participou dos protestos ontem e criticou a expansão desenfreada que ocorreu na UFF, prejudicando a qualidade de aulas e de serviços, como o bandejão. “A UFF está com um mega problema estrutural, péssimas condições de trabalho. Não ha como fazer expansão sem uma organização séria, sem a contratação de profissionais”.

Docentes da UFRJ decidiram não aderir à paralisação. Em São Paulo, professores da rede estadual completaram ontem 75 dias com os braços cruzados. Se o movimento continuar na semana que vem, pode se tornar a greve mais longa da história do estado.

PELO BRASIL

SÃO PAULO
Em São Paulo, vários focos de protestos surgiram ao longo do dia. A Avenida Paulista foi ocupada por motoboys de manhã, e por trabalhadores e integrantes de movimentos sociais à tarde. Cinco manifestantes ficaram feridos e um foi detido em um protesto em frente à Universidade de São Paulo (USP), na Zona Oeste. No ABC, cerca de 50 mil trabalhadores foram às ruas. O grupo era formado principalmente por operários da indústria automotiva, que tem feito cortes em mão de obra, diante da baixa vendagem.

MINAS GERAIS
O protesto foi marcado pela adesão dos motoristas de ônibus e dos metroviários em Belo Horizonte. No final da tarde, servidores da UFMG se uniram com integrantes da CUT em uma passeata no centro da cidade.

RIO GRANDE DO SUL
Em Porto Alegre, os motoristas de ônibus atrasaram o início das operações na parte da manhã e só começaram a circular às 8h30. Já os trens ficaram paralisados durante todo o dia. Na capital gaúcha, manifestantes se reuniram em frente ao Palácio Piratini no começo da tarde. O protesto foi engrossado pelos servidores do município, que estão em greve.

BAHIA
Em Salvador, houve uma passeata em direção à Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieba). Participaram do movimento professores, trabalhadores da saúde, construção civil, comerciários, bancários, servidores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e professores da Universidade do Estado da Bahia (Uneb). Durante a manhã, houve manifestações de trabalhadores em trechos de rodovias da Bahia como a BR-324 e a BR-101.

PERNAMBUCO
Em Recife, houve confusão entre dirigentes sindicais e policiais no Porto de Suape. Onze sindicalistas foram detidos em um protesto no local. No centro da capital, uma passeara reuniu cerca de 300 trabalhadores. O grupo era formado por por rodoviários, metroviários, policiais civis e funcionários do município.

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