Por felipe.martins

Rio - Caminhando pela Rua Gonçalves Dias, no Centro do Rio, de uma ponta a outra, contei 10 lojas fechadas, estando a maioria delas com cartazes para aluguel. Trata-se de um endereço nobre para o comércio de todos os tipos e bolsos. Este fenômeno também se observa em outros bairros da Zona Sul, como Ipanema (na Rua Visconde de Pirajá) e no Leblon (Rua Dias Ferreira), que tem os aluguéis mais caros do Rio. Na Tijuca, no entorno da Praça Saens Pena e em Madureira, ainda que menor frequência, também há espaços disponíveis.

Pesquisa da CNC – Confederação Nacional do Comércio confirma o que nossos olhos já descobriram, as vendas estão devagar. O órgão estima que, pela primeira vez desde 2007, as vendas do comércio vão cair em 2015, tendo uma retração de 0,4%. Pois bem, em 2007 começaram as confusões da economia mundial que evoluíram para a crise de 2008. Na época, você vai lembrar, o então presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva disse que lá fora a crise era um tsunami e aqui no país seria uma marolinha.

Ao longo dos últimos anos as finanças do Brasil se sustentaram com políticas que privilegiaram o consumo das famílias. Deu certo por um bom tempo, até que no fim do primeiro mandato da presidenta Dilma cometeram-se muitos erros. O último resultado do PIB, que encolheu 0,2% no primeiro trimestre de 2015, mostrou que as famílias compraram menos 1,5%. Trocando em miúdos, esse modelo econômico se esgotou e são precisas mudanças profundas. O contraditório é que muitas medidas adotadas agora como ajustes eram bandeiras defendidas pela oposição.

Amanhã, sexta-feira, comemoraremos o Dia dos Namorados, mais um evento para se gastar dinheiro e de riscos de novos endividamentos. É sabido que o amor não tem preço e que pode e deve lindo e verdadeiro, mas sem causar estragos no orçamento dos apaixonados.

Gilberto Braga é professor de Finanças do Ibmec e da Fundação Dom Cabral

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